ESTÓRIAS, HISTÓRIA, FATOS, CASOS E “CAUSOS”: 29 – Ênio Ricardo Farias: um educador e guru de Baduzinho.

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ESTÓRIAS, HISTÓRIA, FATOS, CASOS E “CAUSOS”

29 – Ênio Ricardo Farias: um educador e guru de Baduzinho.

Uma figura marcante

Quem acompanha as Estórias, História, Fatos, Casos e “Causos”, além das Exxxtóriaxxx do Baduzinho Zé Julinho, já conhece bem essa personagem. Ênio Ricardo Farias foi um dos grandes influenciadores de várias gerações nas áreas da Educação, da Educação Física, do Futebol e do Esporte em geral. Em alguns lugares, deveria até haver uma estátua em sua homenagem.

Antes do Cocotá

Pouco sabemos sobre sua vida antes da chegada ao E. C. Cocotá, na Ilha. Nordestino, vindo de uma família bonita e querida, Ênio chegou ao Rio para realizar seus sonhos e acabou ficando para sempre. Julinho, como Ênio sempre chamou carinhosamente seu pupilo e amigo, recorda vagamente ter ouvido que ele veio ao Rio, trabalhou em banco e morou em Copacabana para conseguir estudar na faculdade e se tornar professor.

Certamente, uma biografia — talvez até uma autobiografia — ainda tratará dessa fase de sua vida, anterior ao trabalho no Cocotá.

A chegada ao Cocotá

Baduzinho pensava que Ênio havia chegado ao Cocotá pelas mãos de Seo Paulo Gestal, diretor e, em certa época, treinador do clube. Na verdade, porém, a chegada aconteceu por indicação de Ivo, que, junto com o irmão Marley, era dono do prestigiado Colégio Olavo Bilac, na Estrada da Cacuia, e também diretor do Cocotá.

Foi Ivo quem convidou Ênio e o apresentou ao presidente Seu Toninho, com a intenção de elevar o nível do trabalho, já que o técnico Bianchini atuava sem preparador físico. Ênio passou a trabalhar como preparador da equipe adulta e treinador do juvenil, além de já atuar em clubes profissionais e em diversas escolas.

Como o futebol era amador, os treinos aconteciam à noite, duas vezes por semana, às quartas e sextas-feiras. Um dia era dedicado à preparação física, técnica e tática; o outro, ao coletivo de apronto antes do jogo, sempre aos domingos, às 15 horas, com preliminar às 13. Muitos clubes ainda não tinham iluminação, mas o Cocotá já contava com esse recurso.

A orientação decisiva

Certo dia, depois de um treino, Ênio conversava informalmente com atletas e sócios, como costumava fazer. Enquanto comia com calma — uma espécie de almoço, lanche e jantar ao mesmo tempo — perguntou ao grupo o que cada um queria ser e que curso pretendia fazer.

As respostas foram variadas: Administração, Medicina, Direito, Salva-Vidas e Engenharia. Julinho também falou em Engenharia. Nesse momento, o professor Ênio interrompeu com segurança: Julinho não tinha perfil de engenheiro; devia ser professor de Educação Física e técnico, pois já exercia informalmente essa função no clube e, na Praia da Bandeira, atuava como recreador, ensinando naturalmente até as crianças a nadar.

A escolha pela Educação Física

Julinho perguntou como alguém se tornava professor de Educação Física e técnico esportivo, pois não sabia, embora tivesse aulas da disciplina no Pedro II desde o ginásio. Com sua calma característica, Ênio explicou tudo direitinho e contou que havia um cursinho pré-vestibular voltado para o exame específico.

Já era julho, metade da 3ª série do Científico. Havia turmas para Engenharia, onde Julinho estudava, para o Clássico, voltado a Direito e Pedagogia, e para Medicina, área ligada à Educação Física. Ao chegar em casa, Julinho disse aos pais que queria seguir esse caminho. Eles se surpreenderam. O pai comentou que professor ganhava mal, e professor de Educação Física, menos ainda — sem falar nas calças justas de elanca…

Mas Baduzinho sabia que queria trabalhar ao ar livre, com saúde, educação e esporte. Seguiu em frente e passou a sentir uma gratidão enorme e eterna ao mestre Ênio pela orientação dada no momento certo. Ênio ainda conversou com Seo Julio para reforçar a decisão.

Formação e trajetória profissional

Ênio, formado em 1966, trabalhava como preparador físico em vários clubes. Em 1974, cursou a Especialização em Futebol para também atuar como técnico — função que, em 1993, pela Lei 8.650, passou a ser reconhecida como Treinador Profissional de Futebol, embora essa lei raramente seja cumprida no Brasil.

Por aqui, brincava-se que só duas ou três leis realmente funcionam: a da Gravidade, a do Menor Esforço e a do Gérson. Curiosamente, Ênio integrou a mesma turma de seus pupilos e irmãos Julinho e Jairo: Julinho formou-se em 1972, entre os Pioneiros do Fundão, e Jairo em 1973. Nesses anos, ainda não havia o Curso de Especialização em Futebol.

Ênio foi treinador no Cocotá, nas categorias de base do Vasco e do Flamengo, no Mesquita, no Serrano e em outros clubes. Pela grande qualificação e pela ampla experiência de vida, chegou à função de supervisor, além de atuar na Universidade Federal do Rio de Janeiro e na Universidade Federal Fluminense.

Família e vida em Magé

Casado e pai de filhos, Ênio escolheu morar em Magé, onde vive até hoje, em 2026, aos 88 anos. Lá, chegou a fundar o clube Pau Grande, em sociedade com dois amigos do futebol.

Os filhos Fernando e Sérgio

Quando Ênio levava os filhos Fernando e Sérgio ao Cocotá, nos primeiros tempos, eles faziam a alegria dos sócios. Os meninos agitavam o clube, subiam em tudo que desse acesso a lugares altos, jogavam bola e foram os primeiros que Julinho ouviu chamar o pai pelo nome: “Ênio, vem cá”, “Ênio, quero isso ou aquilo…”. Aquilo causava surpresa em um clube onde não se podia entrar sem camisa ou usando shorts curtos.

De tanto acompanharem o pai em suas andanças, os dois acabaram se formando em Educação Física e tiveram sucesso na profissão. Fernando Farias, o mais velho, dedicou-se à preparação física e tornou-se estudioso do tema. Sérgio Farias, o mais novo e mais ousado, seguiu como treinador e chegou a levar um clube asiático ao Mundial de Clubes, com excelente participação.

Parcerias, substituições e caminhos cruzados

Quando não podia trabalhar por algum motivo — certa vez, por exemplo, operou o joelho — Ênio recorria a Julinho para substituí-lo no Olavo Bilac, na Escola Jóquei Clube, no Pueri Domus e em outros lugares. Também foi importante quando seu amigo Arnaldo Belota precisou de um estagiário para ajudá-lo no Olaria, em 1972: Ênio recomendou Julinho. Parecia coisa de outras encarnações — irmãos, ou talvez pai e filho.

O Curso de Técnica e os trabalhos em conjunto

Em 1974, Ênio e Julinho cursaram juntos, durante um ano, o Curso de Técnica, em uma turma fantástica que tinha Ernesto Santos e Celio Cidade como professores. Entre os alunos e colegas estavam Jayme Valente, Chiquinho Pastor, Paulistinha, Carlos Cesar Custódio, Ronald Carvalho, Carlos Alberto Nequinha, Edil, Ademar Braga, Djalma Cavalcante, além de Jairo e Julio.

Depois, trabalharam juntos no Flamengo, no Vasco da Gama e na CBF, ora um levando o outro, ora ambos sendo levados por outro grande mestre e amigo, Américo Faria. Foi assim, por exemplo, na CBF, em 1991, quando conquistaram juntos o Sul-Americano no Paraguai.

Um mestre da vida

Suas conversas informais tinham sempre a educação como centro. Ênio levou esse espírito para as palestras nos clubes em que trabalhou e para as entidades que ajudou a criar ou fortalecer, como a ABTF e os sindicatos. Julinho lembra que participou de um estudo de Ênio voltado ao mestrado, embora não saiba se ele o concluiu. De qualquer modo, Ênio é um mestre — um Mequinho, um grande mestre — da Educação Física, do Esporte, do Futebol e da Vida.

Gratidão

Julinho Baduzinho Zé será eternamente grato a Ênio — e a Deus — por terem cruzado seus caminhos nesta vida, e talvez em outras.

Vida longa ao Rei!

P.S. – Esta é a forma como Baduzinho se lembra dos fatos. Pela idade e pelo tempo decorrido, pode haver erros; por isso, ele pede desculpas antecipadamente.

P.S. 1 – Ontem o post já estava feito, faltavam as fotos, que enviei para o site e para o Ênio. Saí para correr e não é que encontrei o Ênio e a Esposa tomando café na Kopenhagen de Ipa… que coincidência, que alegria!

P.S.2 – Obrigado Amigo e grande ex-jogador Affonso Mattos pela lembrança do nome do Mano Marley do Ivo.

By Jucele

Julio Leal

18 de agosto de 2026

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