Histórias, fatos, casos e “causos” – 27 — Relato verídico: Américo Faria, um profissional fora de série e único — a Amizade entre Américo e Julio. Estruturada e refinada by Copilot

By Copilot Estruturado e refinado

Histórias, fatos, casos e “causos”

TRIBUTO A AMÉRICO FARIA

27 — Relato verídico: Américo Faria, um profissional fora de série e único — a Amizade entre Américo e Julio.

Américo Faria: trajetória, formação e primeiros passos

Poucos alcançaram tantas vitórias quanto ele. Muitos tiveram, ao lado de Américo, a primeira oportunidade profissional no futebol; Baduzinho foi um deles.

Américo estudou no Internato Pedro II, em São Cristóvão, tendo sido aprovado entre os 100 primeiros em um concurso disputado por milhares de candidatos de todo o Brasil, quando havia apenas três turmas. Foi presidente do Grêmio Literário e Recreativo Pedro II. Julinho ainda guarda a carteira do Grêmio assinada por ele, referente ao ingresso em 1963, época em que já existiam 12 turmas por ano. Não havia bolsas: o acesso era por mérito.

Na juventude, praticava corrida de rua e esgrima. Trabalhou com Parreira no ISS (Imposto Sobre Serviço), e ambos fizeram parte da mesma turma de Educação Física na ENEFD da UFRJ.

Pelo que se sabe, entre 1970 e 1971 começou a trabalhar no futebol infantil do Olaria A.C., clube que mais tarde o homenageou com a Benemerência.

O aprendizado no profissional do Olaria
Por volta de 1971/1972, o preparador físico do profissional do Olaria era o professor Arnaldo Cavalcanti — com “i”, como fazia questão de destacar —, que decidiu fazer o Curso de Especialização em Futebol. Pediu ao professor Ênio Farias que indicasse um estagiário da faculdade para acompanhá-lo no profissional e assumir os treinos de segunda e quarta-feira, dias das aulas na EEFD com o professor Ernesto Santos. Julinho, indicado por Ênio e aceito por Belota, excelente profissional e grande piadista, também ia à concentração para receber os jogadores e acompanhava o jantar até o recolhimento. A concentração ficava no próprio clube, sob as arquibancadas da Bariri.

Além disso, Julinho deveria viajar com o time, como preparador físico, para amistosos e jogos do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão. Naquele período, o Olaria, sob o patronato de Álvaro da Costa Melo, fazia bonito com atletas formados em casa — Beto Polícia, Ronaldo Boca, Aloísio, Altivo, Miguel, Alfinete, Batata e Pirulito — e com nomes consagrados, como Jorge Vitório, Pedro Paulo, Mario Tito, Garrincha, Afonsinho, Roberto Pinto, Salvador e Mickey. Nos fins de semana, Julio viajava com a equipe, pois não haveria tempo de voltar para as aulas de segunda-feira. Assim, ainda jovem, aprendeu cedo a arte e o ofício do futebol com Belota, Paulo Baltar e treinadores como Paulinho de Almeida, Jair da Rosa Pinto e Roberto Pinto, que acumulou funções e depois se tornou técnico.

Formação de talentos e trabalho no juvenil
O professor Américo, que trabalhava sozinho no juvenil, convidou Julinho para ser seu preparador físico e assistente, e o convite foi aceito. Américo valorizava os jogadores formados em casa, em um celeiro organizado pelo Seo Justino. No campinho do Olaria, eram realizados torneios com dezenas de equipes de crianças, usando camisas de vários países — uma cena bonita de se ver.

Américo também organizava peneiras, com Lutércio, Neném e muitos outros, para identificar talentos do bairro, das redondezas, de Caxias e de outras regiões. Ao fim de cada ano, acompanhava as listas de dispensa dos grandes clubes e reforçava seu elenco com jovens já experientes, como Jarbas, João, Adil, Marcos, Lulinha, Rubem Nicola, Rubens, Cavalcante, Aurê, Clésio e Cabral.

Também conseguiu levar o Olaria à Copa São Paulo de 1972, feito importante para o trabalho desenvolvido e para o prestígio do clube. À época, os presidentes eram profissionais respeitados: o advogado Dr. Jomery Raimundo Calomeni e o professor Dr. Edmundo dos Santos Cigarro, formado em Educação Física.

Reconhecimento, Flamengo e novas experiências

Em 1974, Américo chegou à equipe principal, já conhecendo bem o clube e vários atletas que havia ajudado a formar. Em 1976, o Olaria fez grande campanha no Campeonato Carioca. Embora o Fluminense — “A Máquina”, de Francisco Horta e Rivelino, com o preparador físico Maurição, pioneiro do Fundão — tenha sido bicampeão, o treinador do ano foi Américo Faria, pelo excelente trabalho realizado com Jairo Leal. Jairo substituíra seu irmão Julio Leal, que, após concluir o curso de técnico em 1974, teve em 1976 sua primeira experiência remunerada como treinador no infantil do Flamengo.

Depois dessa campanha, Américo seguiu com Jairo para o CSA, de Alagoas, para disputar o Campeonato Brasileiro.

Em 1977 e 1978, dirigiu o juvenil do Flamengo, hoje Sub-20. Mais do que treinar uma excelente equipe, contribuiu com sua experiência para a nova filosofia implantada com a chegada da FAF, de Márcio Braga, e de Coutinho. O trabalho valorizava um grupo seleto de treinadores e profissionais, priorizava a formação de atletas e de homens, e também preparava profissionais de todas as áreas, promovendo talentos em sequência e iniciando novos integrantes nas categorias de base.

Essa estrutura culminou na conquista do Mundial do Flamengo em 1981, com oito atletas formados no clube, de diferentes gerações, e três vindos de fora, além de vários outros títulos no profissional e nas categorias de base.

Ao deixar o Flamengo, em 1977, Américo teve sua primeira experiência internacional no Kazma Club, do Kuwait. Anos depois, Baduzinho também trabalhou lá e ouviu relatos sobre o grande trabalho realizado por Américo.

Professor, gestor e coordenador vencedor
Vale lembrar que, em 1973, quando trabalhava no Olaria, foi marcado para 1974 um concurso para professor do Estado. Américo e um grupo de amigos pediram a Julinho, que também concorreria, mas era formado havia menos tempo, que os preparasse para a parte prática e física. Os treinos aconteciam depois dos treinos do time ou nos dias de folga. Todos foram aprovados, e alguns passaram a trabalhar juntos no Colégio Estadual Gomes Freire de Andrade, realizando um trabalho excepcional.

Nessa época, Américo também foi professor do Curso de Formação de Técnicos da Faculdade Castelo Branco, contribuindo para a formação de muitos ex-jogadores.

Trabalhou ainda como diretor de futebol do Palmeiras, em um período importante de implantação de conceitos no clube, hoje uma potência.

Em 1989, assumiu a Coordenação Geral da CBF, levado pelo treinador Lazaroni, onde implantou uma filosofia semelhante à do Flamengo, aperfeiçoada por sua experiência. Teve participação decisiva na contratação de treinadores formados, experientes e vencedores. Sob sua coordenação, somaram-se inúmeros títulos em torneios, Campeonatos Sul-Americanos e Mundiais nas categorias Sub-17, Sub-20, Olímpica e Principal, incluindo 1994 e 2002. Perdeu-se a conta; talvez ele, sempre tão organizado, saiba precisar.

Mais tarde, retomou a carreira de treinador no Boavista do Rio, também com conquista. Depois disso, pendurou o boné.

Se Ênio Farias valorizou a educação e a figura do treinador educador, Américo Faria representa o professor, treinador, supervisor e coordenador voltado à organização — o profissional mais organizado que Baduzinho conheceu.

Vida longa ao Rei!

Obrigado por tudo, Mestre!

Gratidão eterna!

A intenção do autor é reverenciar as qualidades e a carreira de Américo, bem como todos os que participaram desta história, sem jamais diminuir ou denegrir qualquer pessoa. Se isso ocorrer, pede desculpas antecipadamente.

Se te agradar, fino leitor, pago-me da tarefa.

By Jucele

Julio Leal

22 de julho de 2026

P.S. — Obrigado, Mestre Lazaroni, pela contribuição quanto à data de entrada do Mestre Américo na CBF: 1989, e não 1991, como dito anteriormente. Já haviam trabalhado juntos no Fla, em 1977 e 1978; conheciam-se e se respeitavam.

Wikipédia

AMÉRICO DA COSTA FARIA JUNIOR

Américo Faria
Nascimento1944
OcupaçãoProfessor, Técnico e Coordenador Técnico de Futebol

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