24 – ESTÓRIAS, HISTÓRIA, FATOS, CASOS E “CAUSOS”: BRASIL X EGITO. AJUDA DE IA

24 – ESTÓRIAS, HISTÓRIA, FATOS, CASOS E “CAUSOS”:

BRASIL X EGITO

Na década de 1980, os treinadores brasileiros começaram a se destacar no mundo árabe, com nomes como Zagallo e Minelli na Arábia Saudita, Danilo Alves e Parreira nos Emirados Árabes Unidos, Américo Farias no Kuwait e Evaristo de Macedo e Ronald de Carvalho no Catar. Os treinadores egípcios, que até então dominavam os clubes de futebol e as seleções, foram aos poucos sendo substituídos pelos profissionais brasileiros (treinadores, assistentes técnicos, preparadores físicos, preparadores de goleiros, médicos e massagistas), elevando não apenas o nível técnico, mas também o financeiro dessas instituições.

Em torno de 1984, havia cerca de 28 profissionais brasileiros e suas famílias nos Emirados Árabes Unidos, desempenhando diversas funções distribuídas por quase todos os sete emirados. A integração entre os brasileiros foi facilitada pelo competente Danilo Alves, que trouxe Jairo Leal e recomendou Carlos Alberto Parreira para a seleção. O sucesso deles fez com que fossem frequentemente consultados pelos clubes locais, estabelecendo um processo natural de seleção baseado em competência e profissionalismo.

À medida que o grupo crescia, as relações sociais entre os brasileiros se fortaleciam. Eram organizados jogos entre os treinadores brasileiros e ex-jogadores de alto nível, como Paulo Henrique, Jair Pereira, Ivo Worthman, Zé Mario, Nelsinho, Valinhos, Gilson Nunes, Otto Valentim, Brida, Joel Santana, Valtinho e Cláudio Garcia. Esses jogos ocorriam quinzenalmente à noite, em dias que não interferissem nas programações dos clubes e da seleção. Cada participante contribuía com bebidas (limitadas a US$ 200,00 por mês devido às restrições locais) e petiscos, tornando os encontros momentos de lazer, troca de informações e socialização.

Os adversários eram times de veteranos ingleses, franceses, alemães, holandeses e jogadores veteranos de clubes locais. Esses jogos eram organizados com antecedência por Paulo Henrique, ex-lateral do Flamengo e da seleção, que dirigia o time do Ajman. Com o passar do tempo, aumentou o interesse em enfrentar o time dos técnicos brasileiros, especialmente por parte dos egípcios. Dada a quantidade significativa de egípcios no país, preferíamos evitar esses confrontos para manter o foco na diversão e socialização.

Após insistência, um jogo contra os egípcios foi finalmente marcado. O estádio encheu-se de jogadores uniformizados, equipe de arbitragem, jornalistas e torcedores. O jogo começou amistoso, com ambos os times mostrando habilidades e respeito mútuo. Após o primeiro tempo, quando o time brasileiro estava em vantagem, os torcedores egípcios ficaram eufóricos com a chegada atrasada de Mahmoud El Khatib, “Bibo”, considerado o melhor jogador de futebol da África em 1976 e 1979. Sua presença adicionou mais entusiasmo ao evento, que transcendeu uma simples partida de futebol.

Sendo a cidade distante de Dubai, onde ocorria a partida, Bibo, responsável e vencedor, só pôde viajar após o término do treino de sua equipe, resultando no atraso providencial.

A partida foi retomada sem a presença do jogador brilhante, que apenas fazia dois toques na bola e jogava em todas as partes. O árbitro, que vinha desempenhando bem suas funções, durante uma parada autorizou a substituição, causando grande comoção nas arquibancadas – algo raro nos jogos normais. O substituto elegante entrou cumprimentando todos e saudando a torcida.

Disse para Valinhos: “Você, que joga muito e tem resistência de meio-campista, vai marcar ‘o fera’ em todo o campo. Não permita que ele jogue, mesmo se ele for fazer necessidades à beira do campo, não o deixe sozinho. Estamos vencendo. Proponho-me, mesmo sendo atacante veloz, mas sem muita resistência, a recuar e ajudar, fazendo marcação dupla.” Mesmo assim, o time adversário parecia ter mudado completamente com uma única substituição. Ele se comportava como Sandoval, dos melhores jogadores que vi, executando a estratégia de não manter a bola consigo. Começaram a tocar mais a bola e com velocidade; ele tocava sem prender ou perder a posse, seja para os lados ou para frente. A equipe evoluía. Um bandeirinha marcava até “não impedimento”, enquanto o outro deixava passar alguns.

Fizemos algumas substituições, devido ao desgaste de quem estava em campo ou outros motivos. Lembro do Luizão na lateral esquerda no lugar do Parreira, que jogou bem no primeiro tempo. O gol de empate egípcio foi marcado, crescendo ainda mais com o apoio da torcida, comemorando e sonhando com a vitória sobre os canarinhos. Com mais pressão, estrategicamente recuamos para compactar e tirar os espaços, tentando neutralizar o camisa 10 deles (que futuramente treinaria com sucesso a seleção de juniores, sub-20, do Egito e a seleção principal). Um ídolo! O craque jogava muito. No final do jogo, diríamos quase ao apagar das luzes, nossos onze defendendo em nosso campo, Valinhos com a ajuda do bom ponta esquerda Mello e eu, já cansados, grudados no articulador, nossa defesa recuperou uma bola que foi parar nos pés do ambidestro Paulo Henrique, que jogava muito (fez 440 jogos pelo Flamengo e jogou na seleção em 1966). Já nos conhecíamos dos jogos anteriores, tínhamos sintonia. Parti rapidamente de nosso campo após o longo e preciso passe, com curva que enganou a defesa deles, sem estar impedido, nada o bandeirinha poderia fazer. A bola caiu atrás da defesa, no ponto futuro. Senti o momento e usei minhas últimas energias incentivado pelos nossos companheiros do banco. Dominei a bola e corri em velocidade; a arquibancada silenciou enquanto todo o time deles tentava alcançar. Na entrada da área adversária minha panturrilha travou, meu músculo posterior da coxa ameaçou romper e, como último recurso, dei um “bico” na bola, sem qualquer vergonha. Gol de bico também vale. Bola no ângulo, 2 x 1 para nós. Pura sorte!

A arbitragem tentou ajudar, concedendo 10 minutos inexistentes de acréscimo, parecendo o futebol atual, com jogos de 100 minutos ou mais. Jamais vira, nem depois vi, o mestre Parreira à beira do campo reclamando e pedindo o fim do jogo.

MISSÃO CUMPRIDA! QUE ESTÓRIA!

PARAFRASEANDO CHICO ANISIO E UMA DE SUAS PERSONAGENS: É MENTIRA VALINHOS, MENTIRA TERTA? VERDADE!

CASO ELES GANHASSEM TÍNHAMOS A CERTEZA DE QUE NO DIA SEGUINTE ESTARIA ESTAMPADO NOS JORNAIS, FALADO NAS RÁDIOS E NOS PROGRAMAS DE TEVÊ: EGITO BATE O BRASIL!

NÃO DESTA VEZ…

TENTARAM E ATÉ HOJE AINDA DEVEM TENTAR MARCAR A “REVANCHE”.

BOA, PAULO HENRIQUE! MAUBRUK MUDEREB PAULO!

PARABÉNS A TODOS: HAMILTON, ZÉ CARLOS, JOEL SANTANA, LAPOLA, MESTRE PARREIRA, PAULO HENRIQUE, DANILO ALVES, PROF. TEIXEIRA, JAIRO LEAL, JULIO E MELLO, PAULO EMÍLIO, ZÉ MÁRIO, LANCETTA, PIONEIRO DE OURO ZÉ ROBERTO ÁVILA, NIELSEN, IVO WORTHMAN, LUIZÃO, LUIS CARLOS MARTINS, JAIR PEREIRA, LUIZ CARLOS MASSAGISTA, RENATO MASSAGISTA, PIONEIRO DE OURO SEBASTIÃO LAZARONI, NELSINHO ROSA, DR.RUY, DR, WALTER, DR. ZÉ FERNANDES, ZAGALLO, MIGUEL BANANA, GETÚLIO, MORACI SANTANA, BRIDA, JORGINHO MASSAGISTA, OTTO VALENTIM, VALTINHO COVER DO JOHNNY MATHIS, PORTELA, CLAUDIO GRACIA, FALOPA, CHICO GONZALES, PROF. JOÃO CARLOS “O CACHORRÃO)CAFÉ, RENÉ SIMÕES, PIONEIRO DE OURO PAULO ROBERTO MINEIRO, PIONEIRO DE OURO PROF. IVAIR MACHADO, ENTRE OUTROS.

P.S. EM 1990 OS EMIRADOS ÁRABES SE CLASSIFICARAM PELA PRIMEIRA E ÚNICA VEZ PARA A COPA DO MUNDO, NA ALEMANHA, COM O MESTRE ZAGALLO, MAS QUEM DIRIGIU A EQUIPE NA COPA FOI MESTRE PARREIRA, QUE INICIARA O TRABALHO EM 84.

4 comentários Adicione o seu

  1. Avatar de speedyusuallyf7aa123126 speedyusuallyf7aa123126 disse:

    Timaço… Importante registro Mister! Parabéns pela brilhante trajetória.

    Curtir

    1. Avatar de Julio Cesar Leal Julio Cesar Leal disse:

      Obrigado,Goleirão! Ser humano incrível! Bom dia! abraço

      Curtir

  2. Avatar de speedyusuallyf7aa123126 speedyusuallyf7aa123126 disse:

    Timaço… Importante registro Mister! Parabéns pela brilhante trajetória.

    Curtir

  3. Avatar de speedyusuallyf7aa123126 speedyusuallyf7aa123126 disse:

    Importante registro Mister. Parabéns pela brilhante e vitoriosa trajetória! Show de bola…

    Curtir

Deixar mensagem para Julio Cesar Leal Cancelar resposta