Preparo Físico:Chirol, Coutinho e Parreira mostram como ganhar a Copa do Mundo de 1970: Primeira Parte, tópico 6 (de 1 a 6)

6 – A parte psicológica deverá ser

Cuidada, a fim de que os jogadores

não se impressionem com os proble-

mas da altitude e que estejam cientes

de que, havendo um período de acli-

matação e adaptação convenientes,

eles poderão cumprir suas funções sem

temor de cansaço prematuro.

Posteriormente, no mês de junho de

1968, embarquei com a Seleção Bras-

sileira para a Europa, após curto pe-

ríodo de treinamento, tendo como

Teinador Aymorá Moreira.

Dessa viagem, colhi várias observa-

ções e transcrevo aqui a conclusão do

meu relatório enviado à C.B.D.

“ Analisando a princípio o roteiro da

Excursão, com inúmeras viagens e pou-

co tempo para treinamento e somando-

do-se ainda a diferença de clima, ali-

mentação e fuso horário, já que jo-

garíamos em três Continentes num es-

paço de 35 dias, enfrentando catego-

rizados selecionados, achei que seria

por demais penosa a tarefa a ser em-

preendida por uma seleção formada

às pressas, sem o tempo necessário

para um melhor preparo físico-técnico-

tático e psicológico. Terminada a tem-

porada, cheguei à conclusão de que

a  experiência foi inteiramente válida

e proveitosa, dando margens para pro-

fundas considerações sôbre  o futebol

que hoje se pratica. Estive a par dos

sistemas táticos empregados por nos-

sos adversários que enfrentamos, a fim

de poder elaborar para o futuro, um

planejamento que atenda a todas as

necessidades. Não bastasse isso, ti-

vemos oportunidade também de jul-

gar nossos comandados sôbre vários

requisitos que um jogador deve pos-

suir para se constituir num verdadeiro

homem de seleção. Foi, sem dúvida,

uma prova dura para os jogadores,

mas deu a cada um o ensejo de mos-

trar, não só individualmente, mas, prin-

cipalmente, seu comportamento no

conjunto; não só como jogador, mas

como homem, capaz de assumir res-

ponsabilidades para ser integrante de

um selecionado brasileiro. Quanto à

preparação física, conforme me referi

no início desse relatório, não pôde ser

ministrada como gostaria que fosse,

dado ao pouco tempo oferecido. Em-

preguei método de trabalho baseado

na minha experiência, pesquisa e es-

tudo, de vários anos em que ministrei

a educação física aplicada ao futebol.

Procurei dar atenção aos que não es-

tavam jogando, executando trabalho

de manutenção aos que atuavam. A

inclusão de Sady e Jurandyr nos úl-

timos jogos foi para mim uma verda-

deira vitória, como também para o de-

dicado médico Dr. Lídio Toledo, já

que ambos haviam se contundido na

primeira partida disputada na Europa

e passaram 30 dias sem jogar. Notei

felizmente, que a mentalidade do nos-

so jogador evoluiu quanto à prepara-

ção física e hoje a maioria procura

nos exercícios adquirir melhor condi-

ção para fazer frente às exigências do

futebol moderno. Sabendo ser hoje

o preparo físico fator preponderante

para o êxito de uma equipe de fute-

bol pelo que me é dado a observar

na equipe que trabalho há 4 anos, es-

tamos sempre prontos a evoluir, pro-

curando novos meios  compatíveis com

a formação, alimentação, clima e há-

bitos de nossos atletas. Para isso gos-

taria de ver concretizada a promessa

do Chefe da Delegação, que, em pa-

lestra na Polônia, afirmou que até o

fim do ano estaríamos estagiando nas

melhores escolas especializadas, da

Europa. A seleção da Alemanha foi a

que mais me impressionou com refe-

rência ao estado físico de seus joga-

dores. De fato, possui homens de rara

velocidade e resistência excepcional.

Por ser a Alemanha um país dos mais

evoluídos nesse setor, acho que seria

o local ideal para nossas observações

no que diz respeito às novas formas

de preparo físico e meios emprega-

dos para adquiri-lo”.

A Seleção voltaria a se reunir, ainda

sob o comando de Aymoré Moreira,

para realizar alguns jogos no Brasil.

Nessa oportunidade, o ambiente com-

turbado por uma cúpula diretiva que,

embora bem intencionada, não funcio-

nou, chegando mesmo a impedir, por

fôrça das circunstâncias, que o trei-

nador desse prosseguimento àquele

trabalho de renovação tática iniciada

na excursão de 1968.

Extinta a antiga Comissão, novo Trei-

nador foi escolhido – João Saldanha –

sendo o meu nome mantido co-

mo preparador físico e técnico com

a missão de elaborar o planejamento

com vistas às eliminatórias.

Nas várias reuniões mantidas com a

Comissão Técnica formada pelo Dr.

Antonio do Passo, Capitão José Bo-

Neti, Adolfo Milman, Dr. Lídio Toledo

E João Saldanha, pretendi, acompa-

nhando a evolução processada no se-

tor de preparação física e às exigên-

cias do futebol moderno, formar uma

equipe de preparadores físicos, indi-

cando os nomes do Professor Carlos

Alberto Parreira e Capitão Claudio

Coutinho. Infelizmente não fui aten-

dido e tive que realizar sozinho o meu

trabaho.

Nos testes de avaliação física, reali-

zados na Escola de Educação Física

do Exército, além de outros, tivemos

a colaboração dos Professores Carlos

Alberto Parreira, Capitão Claudio Cou-

tinho, Sub-Tenente Carlesso e Capitão

Camerino.

Após o período de permanência no

Brasil, cujos treinamentos foram rea-

lizados nas dependências do “Gávea

Golf Club”, apresentei um plano de

trabalho a ser executado no período

de aclimatação e adaptação em Bo-

gotá

Por uma série de fatores, fui obrigado

a mudar um pouco a estrutura do pla-

no, mas sem fugir aos objetivos pre-

tendidos realizando excelente trabalho

nos campos do “ Lagarto Golf Club”,

atingindo uma boa condição muscular

e orgânica, conforme ficou demons-

trado nas apresentações contra co-

lombianos, venezuelanos e paraguaios,

obtendo a classificação vencendo de

maneira categórica os adversários.

Terminada a fase de classificação, com-

tinuei na pesquisa, colhendo dados

para a elaboração do planejamento

que teria de ser muito mais aprimo-

rado, tendo em vista a importância da

disputa , categoria dos adversários

e local da disputa, situada em cidade

cuja altitude provoca  a deterioração

da performance.

Tendo sido aceita a minha sugestão de

formar uma equipe de preparadores

físicos, começamos a fazer filmes sô-

bre todos os métodos a serem em-

pregados. Viajei inclusive ao Uruguai,

especialmente para filmar trabalho

de goleiros europeus. Fizemos importan-

te consulta ao Prof. Lamartine Pereira

sobre os problemas da altitude que

muito serviu para definir nosso pro-

grama com referência a esse assunto.

Iniciamos nosso trabalho, que segue Minuciosamente relatado.

Admildo Chirol

By JUcele

Julio Leal

2020

3 comentários Adicione o seu

  1. Avatar de jlcleal jlcleal disse:

    Valeu.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Avatar de Julio Cesar Leal Julio Cesar Leal disse:

      Bom dia! Indo ver os Meninos às 11h. beijo

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      1. Avatar de Julio Cesar Leal Julio Cesar Leal disse:

        |bom dia ! \indo comprar KInderOvo! KKK. bj

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