O PÁSSARO. “Mensagens de uma Vó poeta”. Jenny Spinola Motta.

4 de outubro de 1981.

Jenny Spínola Motta.

O pássaro.

Já não posso voar,

Vivo a cantar, só a cantar!

Canto alto, bem alto!

Com um único sentido!

Alegrar-me e disfarçar

a vida triste da gaiola!

Quero voar, sempre voar!

Quero assistir o nascer do sol!

Quero morar no azul do céu!

Quero dormir descansado e feliz

no verde lindo das árvores!

Quero catar e escolher o que comer!

Quero beber sossegado a água fresca

dos rios e dos regatos!

Quero, na época certa, construir meu próprio

ninho! Futuro Lar dos meus filhotes!

Abrigá-los com cuidado do vento forte e das

maldades do mundo!

Não me importa o risco!

Não me assusta o gato!

Não me amedronta a atiradeira do menino!

Quero voa, voar bem alto!

                                      Livre e feliz!

Espalhar por toda a aparte a sonoridade

do meu canto puro e suave!

Já não posso voar,

Vivo a cantar! Só a cantar!

Hoje é dia de São Francisco de Assis!

Santo amigo e protetor das aves e dos animais!

Dia do perdão e das bênçãos!

Dia de soltar os pássaros!

Meu dono tristemente me olhou!

Percebi seus olhos úmidos!

Não disse uma só palavra!

Só seu olhar falou!

Num gesto rápido abriu

a pequena porta da gaiola!

Deu-me a tão sonhada liberdade!

Senti seu sofrimento!

Gostava muito do meu cantar!

A porta foi aberta!

A liberdade chegou!

E o pássaro ficou

quieto e triste

 No canto da gaiola!

Mas oh! Ironia da vida!

Estava com a asa partida!

Já não posso mais voar!

Vou passar minha vida inteira a cantar!

Só a cantar! Só a cantar! Só a cantar!

Jenny

By Jucele

Julio Leal

2020

Conforme escrito na Ortografia da época!

Autorizado pela Amada Prima e Escritora Marília.

Mensagem 37, página 42

3 comentários Adicione o seu

  1. Avatar de jlcleal jlcleal disse:

    Interessante. Valeu.

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    1. Avatar de Julio Cesar Leal Julio Cesar Leal disse:

      Grande ideia! Observadora! Hoje tem cachorro vira-lata! Bom Domingo Feira!

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  2. Avatar de Marilia Ludgero Marilia Ludgero disse:

    Não me lembrava deste poema. Foi o único que me fugiu da memória. Agora, ao relê-lo, confesso que não sei bem o que dizer. Ele me fez parar. Parar para pensar, pois me atingiu em cheio.

    Mãe, esta sua filha, tal como você-pássaro, também está de asa partida, porém sem vontade alguma de voar.

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