Agôsto de 1981.
Desabafo.
Para você vou contar,
o que está acontecendo,
dentro da minha casa
depois de virar poeta!
-Meus filhos, meus netos,
minha nora, meu genro,
minha médica, meus amigos
e toda a minha parentada,
está adorando e vibrando
com meu novo comportamento!
Só meu marido, coitado!
Não se conforma com o fato.
Diz sério e categórico:
-É loucura, é loucura;
Foi um salto muito grande,
passar de simples Amélia
a convencida poeta…
É loucura eu repito.
Ela já diz toda crente,
que em breve vai entrar
pra Academia de Letras,
e se vestir felicíssima,
com o vestido fardão!
É esclerose ou não é?
Da casa não cuidou mais.
Não pregou mais meus botões.
Desprezou o seu curió.
Deixou de fazer croché.
Passou a dormir tarde,
e vive solta no ar,
parecendo uma astronauta
caminhando para a Lua!
Tem cabimento isso?
Já não me dá mais pelota!
Não faz mais meus cafunés!
Quando para de escrever,
fala, fala se, parar;
Liga urgente o telefone,
nem se importa com a Telerj,
quer logo passar adiante
o assunto do último verso!
Não aguento mais, acreditem
tenho dois caminhos a seguir:
Ponho ela num sanatório,
ou vou pedir meu divórcio!
Depois de ouvir tantas queixas, Já sentindo o efeito,
acalmei meu maridinho. de tão boa terapia,
Dei-lhe um beijo e um abraço um conselho vou lhes dar:
e prometi maneirar, contendo -Façam o que eu estou fazendo,
ao máximo possível, escrevam, escrevam se medo,
essa força, estranha e gostosa não importam os erros,
que alivia a minha cuca, nem mesmo a pontuação;
que me basta a mim mesma, O que interessa no caso
purificando meu coração! é deixar no papel escrito,
de maneira bem sutil
tudo que vive guardado
lá dentro, no escondidinho da gente!
Jenny Spinola Motta
Mensagem 30, Página 35.
By Jucele
Julio Leal
Muito bom. Gostei. Valeu.
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Figura!!!! Bj
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