O CENTRO ATACANTE
Êste homem, segundo a concepção européia, é ainda o homem alto, forte, impetuoso, que procura ser goleador graças a essa impetuosidade. Geralmente grande cabeceador, está sempre na expectativa dos centros do extremas para tentar a finalização. Devido a esta preocupação, não é hem de grandes deslocamentos, mas, realiza uma luta tremenda com o seu oponente direto, o centro-médio. Aliás, dentro da concepção européia do WM, são êstes dois jogadores os que mais entram em contacto na eterna luta entre ataque e defesa. Ao esfôrço constante do centro-atacante pela conquista do goal, se opõe a permanente vigilância do centro-médio, razão porque são dados a êste, pelos inglêses, os nomes de “stopper” ou “police man” tão conhecidos nos meios futebolísticos.
OS PONTAS
Já vimos que, com o advento do WM, êstes jogadores modificaram a sua antiga forma de jogar, para se tornarem jogadores agressivos. Passaram a buscar o caminho do goal, em vez do da bandeira de “corner”, como sucedi nos tempos do Sistema Clássico.
Todavia, nos países em que se jogava da forma pura de sistema, os pontas ainda conservavam muito dos antigos “centradores”. Isto em função do jôgo dos centro-atacantes que, como vimos, são homens altos e grandes cabeceadores. E é nos centros dos pontas que estes melhor puderam usar sua habilidade.
Stanley Mathews, o mais famoso jogador inglês de todos os tempos, que os britânicos consideram o mais ponteiro do mundo, que apesar de seus quasi 40 anos, ainda conseguiu na última disputa da taça Jules Rimet, na Suiça, ser um dos jogadores mais destacados, é o exemplo mais característico deste modo de jogar. Seus centros e meios centros tornaram-se famosos pela certeza com que chegavam à testa dos centro-avantes e pelos goals que, assim foram conquistados.
De modo geral, porém, é a agressividade que caracteriza o trabalho específico dos pontas do WM, mesmo porque – considerando-se que os meias jogavam atrasados, – não se pode deixar exclusivamente a cargo do centro-atacante a finalização das jogadas dos ataques. Nesta nova forma de jogar, alguns extremas na relação dos “scorers” e, aqui mesmo no Brasil, nós podemos citar alguns que, jogando dentro do WM puro, fizeram sucesso nesse particular. Hercules foi, talvês, o exemplo mais concreto de extrema goleador. Jogador do São Paulo, Fluminense e dos Selecionados Paulista e Brasileiro, era o terror dos goleiros.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
De modo geral, é assim que agem as equipes dentro do Sistema WM e é assim que se movimentam os jogadores dentro das várias posições. Devemos, entretanto, lembrar que toda equipe, embora explorando básicamente um determinado sistema, visa, antes de tudo, aproveitar da melhor forma as qualidades de seus jogadores e isto determina, muitas vêzes, diferenças sensíveis em quadros que exploram o mesmo sistema.
Já dizia, com muito acêrto, F.N.S. Creek, antigo jogador e atual tratadista de futebol da Inglaterra, no seu Association Football” “Don’t work out a scheme of paly and expect your players to adapt themselves to it. It is far better to take the players at your disposal with their varied talents and habilities, and invent a scheme to suit them”.
Isto significa que não se deve adaptar rìgidamente os jogadores de que dispomos a qualquer sistema e, sim, inventar uma fórmula de utilizar da melhor maneira os variados talentos e habilidades dos mesmos, embora, é claro, – vale dizer – se conservados os princípios básicos de determinado sistema.
O resultado é que com a exploração inteligente dessas habilidades dentro do WM, conservando, embora suas características fundamentais, vai apresentando diferenças de equipe para equipe, devido à peculiar movimentação de cada uma, diferença que, muitas vêzes, se apresentam bem sensíveis devido à diversidade de técnica e estilos dos jogadores.
Também a concepção que cada técnico tem do sistema oferece ao observador aspectos interessantes como no caso da conhecida “defesa por zona” ou “Sistema Zezé Moreira” que nada mais é do que uma das muitas variações do WM, isto é, o WM tal qual o concebe o conhecido técnico.
Aliás, o WM puro, surgido, como vimos, nos campos da Inglaterra, com o nome de “Sistema do Centro-médio Defensivo (Defensive center-half)”, tem se desdobrado através dos tempos, numa série de variações, entre as quais o mais importante para nós, e de que falaremos nos próximos capítulos, está – a “DIAGONAL”.
FIM DO TERCEIRO CAPÌTULO DA APOSTILA DO PROF. ERNESTO DOS SANTOS.
Observação de Julio Leal:
Lendo este capítulo, nas considerações finais, ocorreu-me que pode e deve o Mestre Zagallo, haver lido as palavras do Tratadista de Futebol Inglês, F.N.S.Creek, pois além de haver modificado o Sistema 4 – 2 – 4 para 4 – 3 – 3 (1958 – 1962), por sua inteligência, habilidade e intuição como jogador, e mais tarde, como técnico da Seleção Tricampeã de 1970, seguiu exatamente essa assertiva: baseado num sistema 4 – 3 – 3 vigente, lançou mão dos melhores jogadores de que dispunha, alguns da mesma posição, embora de estilos diferentes, e sagrou-se campeão no México, “com possivelmente a melhor Seleção de todos os tempos”.
Em minha modesta opinião, quando um Treinador chega a um Clube, deve, baseado nos jogadores com quem conta, organizá-los taticamente da melhor forma possível para alcançar com menos esforço melhor proveito e resultados. Entretanto, quando o Treinador chega à Seleção, escolhe o melhor, mais eficiente e moderno Sistema, com perspectivas de futuro e, seleciona os 11 melhores jogadores do País para realizar aquele Sistema escolhido, que serão os titulares no início do trabalho (como fez João Saldanha em 69), e 11 melhores jogadores que podem substituir os 11 e até superá –los, alterando, inclusive o Sistema inicial.
LUVAS: Na foto as primeiras e únicas luvas que usei, de pelica, trazidas gentilmente pelo Seo Joca (Diretor e Treinador do E.C.C. Cocotá), que tinha uma Loja de Material Esportivo em Botafogo em Sociedade com Nilton Santos (O Enciclopédia), também Insulano. Convidados para um Evento que homenageava o Rei Pelé, na Suíça, lá visitando lojas semelhantes à sua, achou essa preciosidade, sabedor de que eu não usava luvas que na época eram grandes, duras e desconfortáveis. A essas, facilmente me adaptei e usei até gastar e aposentar….junto com elas!
Obrigado, Seo Joca, homem bom e severo, Vascaíno dos melhores que conheci!
Lembrando que a Gramática e a Ortografia da Apostila foram mantidas!
A SEGUIR: Capítulo IV – DIAGONAL
FIM



Excelente trabalho. Muita informação de alto nível. Valeu.
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Adoro re-ler…. sempre encontro algo útil…. não lembrava que o centro-atacante no Clássico jogava recuado… Publiquei as Cestas hj. Obrigado!
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