WM da Apsotila Ernesto dos Santos: Parte II: e Surge o WM

E SURGIU O WM

E assim surgiu no futebol o M da combinação que, mais tarde vai se vulgarizar no continente europeu, como WM.

     De fato, se virmos, colocando-nos de trás do gol, uma equipe formada em campo, notaremos que o ataque forma uma figura de W e a defesa a de M. Esta, exatamente oposta àquele, ao se defrontarem.

     Comprova-se, assim, que o M defensivo, com o centro-médio na posição de terceiro zagueiro, não é resultado de capricho ou fantasia de técnicos – como afirmam certos saudosistas – mas, um imperativo que resultou da introdução do M no ataque.

     Surgiu, êste em consequência da mudança da lei do Impedimento e aquele como uma resposta das defesas à nova formação, pois, quando opostos o M se encaixa exatamente no W.

FRUTO DA EXPERIÊNCIA

     Repetimos que a esta conclusão só se chegou através de muitos erros e acertos. E, como em toda a parte, na própria Inglaterra, onde o WM é mais conhecido pelo “jôgo do centro-médio defensivo” ou “ jôgo do terceiro zagueiro” (Centerhalf Defensive Game ou Third Back Game), muito houve que lutar até que o novo sistema fosse aceito por todos. Muito foi combatido por técnicos e críticos e somente os sucessos de Chapman na equipe campeã de 32, 33 e 34 (êste último já depois de seu falecimento), em que se salientavam David Jack, Alec James, Bastin e outros famosos jogadores ingleses, e ao qual já nos referimos, é que a nova forma de jogar foi aceita como a melhor em face das novas circunstâncias.

     Diziam os detratores do sistema que a ida do centro-médio para a função de terceiro zagueiro, fazia com que o sistema se tornasse puramente defensivo, por falta de apôio dêste jogador ao ataque. Mas, esqueciam-se êles que, se as equipes perderam um centro-médio, em compensação ganharam dois, porque os médios de ala passaram a jogar mais no meio do campo, distribuindo entre si, a par da responsabilidade de marcação dos meias adversários, a cobertura dêste setor e o apôio ao ataque que, nos tempos do sistema clássico, ficava quasi exclusivamente, a cargo do centro-médio. Assumiram características próprias da antiga função dêste jogador alimentando proficientemente seus ataques, além de marcarem e defenderem como legítimos jogadores de defesa, coisa que os centro-médios de outros tempos não sabiam fazer.

     Hoje em dia o Sistema de Terceiro Zagueiro está difundido no mundo inteiro, como ficou comprovado na última disputa da Taça Jules Rimet. As variações são muitas porque a aplicação do Sistema está sempre sujeita às mudanças sutis que lhe imprimem as características raciais de cada povo, as características técnicas de cada equipe e de cada jogador, além disso, aparece como fator importantíssimo dessas variações, a concepção que cada técnico tem respeito do assunto.  Aqui no Brasil, temos a chamada “diagonal” que, a seguir estudaremos, e a chamada “por zona”. As variações são muitas, mas, as bases fundamentais são as mesmas. E, se o sistema variava na forma, de país para país, ou mesmo clube para clube, não varia em sua essência.

AS CARACTERÍSTICAS DO SISTEMA WM

O WM na sua forma pura, isto é, tal qual é adotado na Grã-Bretanha e no Continente Europeu, quer seja usado êste nome ou qualquer dos dois em voga, nos países Britânicos, – tem, fundamentalmente as seguintes características:

     1º. – três zagueiros.

     2º. – dois médios.

     3º. – marcação de Homem para Homem dentro da “Zona”.

     4º. – ataque fundamentalmente em W.

COMO TRABALHA O SISTEMA

     Nas várias modalidades do WM as funções dos jogadores são as mesmas, especialmente na defesa. No ataque é que se verificam algumas modificações, aliás, importantes, como veremos mais atarde ao estudarmos a “DIAGONAL”. A distribuição em campo obedece à forma fundamental, embora hajam diferenças bem sensíveis quanto à nomenclatura da posição do jogador e aos números que trazem nas costas.

     De um modo geral, as funções de cada jogador do sistema defensivo, isto é, da defesa, então perfeitamente padronizada, mas variando, porém, na forma de execução. Essas funções variam, também, em face das características próprias do jogador e de seu valor individual.

     Cada jogador da defesa marca um determinado jogador de ataque, mas, como o fas depende de seu técnico. Se mais perto ou mais de longe, se dentro de um campo de ação mais restrito ou mais amplo, êstes e outros detalhes estão em função da concepção que o técnico tem do sistema que aplica. Êste aspecto do problema será, mais tarde, motivo de nossos estudos.

     Vamos ver, então, como se movimenta o WM em sua forma pura.

Observação de Julio Leal: tinham razão os críticos do recuo do centro-médio para a posição de zagueiros. Quase uma heresia colocar para jogar de zagueiro puro, marcar atacantes habilidosos ou fores-velozes, os centro-médios que corriam por toda a parte e tinham qualidade técnica para jogar e armar. Por outro lado, enquanto recuados os centro-médios do sistema anterior, a saída de bola era com mais qualidade. Possivelmente depois, este jogador foi jogar no meio-de-campo e um zagueiro nato posto na posição.

2 comentários Adicione o seu

  1. Avatar de jlcleal jlcleal disse:

    Excelente. Muito bom. Valeu.

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    1. Avatar de Julio Cesar Leal Julio Cesar Leal disse:

      Obrigado, há que re-ler! Bj

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