WM pelo Prof. Ernesto dos Santos: Prefácio – Parte II e última.Útil-Vida

Continuação após: alcançado ainda o mesmo nível de evolução que nós.

     As disputas das Copas Roca e Rio Branco, que punham em confrontos os nossos selecionados com a Argentina e Uruguai, foram praticamente abolidas com grandes prejuízos para nós, sem dúvida alguma.

     Quanto às viagens de nossas equipes de clubes pela Europa, se agora apresentam resultados úteis, antes de 56, proveito realmente prático. Tratava-se mais de aventuras turísticas, em que nossas equipes iam entregues quasi sempre a dirigentes passeadores e a empresários deshonestos, que exigiam os maiores sacrifícios dos jogadores, sem qualquer tipo de consciência, e iludiam a si próprios e a nós, com resultados ás vêzes honrosos, porém conseguidos sabe Deus à custa de que preço e outras vezes sem mérito algum. Porque alcançados em face de equipes sem categoria, que não conhecíamos, e que por isso nos induziam a êrro acentando-os como valiosos.

     Nada viam, entretanto, nada observavam, nada procuravam aprender que nos pudessem transmitir de que resultasse algum proveito. E a prova é que tendo dois de nossos grandes clubes – Flamengo e Bangú excursionado pela Europa, pouco antes do campeonato mundial de 1954, quando foram seguidamente derrotados, nada trouxeram, nem uma palavra de aviso contra adversários difíceis que iríamos encontrar – quando tudo julgávamos fácil – preocupando-se, apenas, em enaltecer suas vitórias e a apresentar as mais variadas desculpas para suas derrotas.

     Eis-nos, então, em 54, em face da tremenda surpresa da Alemanha, da Iugoslávia – que nos ia vitimando – e da Hungria, que nos afastou da competição, a qual, embora considerássemos possuidora de uma boa equipe, em face de notícias que de outras partes nos chegavam, não faziamos muitas concessões…

     Faltava-nos, pois, êsse intercâmbio, êsse constante contacto com os grandes centros, quer sul-americano, quer europeus. Com êstes, então, êsse intercâmbio constitue uma necessidade premente. Não devemos nos iludir quanto à inegável categoria do futebol sul-americano. De fato, aqui no continente conseguimos assimilar a técnica dos grandes mestres e mesmo superá-la em muitos aspectos. Mas a verdade é que sempre trabalhamos dentro de ensinamentos recebidos e dos cânones estabelecidos onde o futebol se originou e de onde tem vindo tôdas as suas inovações. Aqui nada criamos – embora não o reconheçamos. Apenas a nossa extraordinária habilidade nos leva, muitas vêzes, a superar os mestres.

     Por tôdas essas razões é que afirmamos que nossa evolução sempre foi lenta e, em consequência, o chamado sistema WM tardou, pelo menos 10 seguros anos, a chegar desde a Inglaterra. Não foi uma viagem direta como veremos. E nas inúmeras, muitas influências foi sofrendo, tanto que aqui chegou com aspecto diferente e com outros nomes de batismo. Um deles, o mais conhecido entre nós, é DIAGONAL. Outros há como DEFESA CERRADA – logo fora de moda – e DEFESA POR ZONA – muito em evidência, que serão motivo de nossos estudos nos capítulos subsequentes.

     Todavia, antes de nos aprofundarmos nos sistemas modernos, será interessante voltar ao passado, num retrospecto de que tem sido o futebol, desde o “FUTBALL ASSOCIATION” foi fundada com o intuito de unificar suas regras, começando, assim a lhe ser dada a feição que agora conhecemos e que faz dêle o mais popular esporte do mundo inteiro.

                        Observação de Julio Leal:

                        Sábias palavras baseadas na experiência vivenciada.

                       Observem que usei as mesmas palavras do Mestre na

                       Apostila, com a acentuação gráfica e o Português da                                             

                       Época. Fim do Prefácio!                                                                                                                                                           

2 comentários Adicione o seu

  1. Avatar de jlcleal jlcleal disse:

    Muito, muito bom. Excelente.

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    1. Avatar de Julio Cesar Leal Julio Cesar Leal disse:

      Tb acho! Nas dá um trabalho danado porque o computador corrige a grafia, e o Português daquela época era diferente tinha acentos em toda a parte! Bj

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