CONTINUAÇÃO DE SISTEMAS DE JOGO
A PARTIR DO G – 4 – 2 – 4 (1958)
A esse tempo, já competíamos regularmente no nível internacional e nossos craques começavam a despontar no cenário mundial, alguns deles indo atuar no exterior.
A característica do meia avançado do Flamengo, Leônidas da Silva, o “Homem de Borracha”, o “Diamante Negro”, que, pelo estilo, ao executar a “Bicicleta”, teve a ela associado seu nome e, à época da excursão, estava lesionado, era a de recuar para buscar jogo, como meia-avançado (W-M) e invadir a área adversária com grande perigo na busca do gol, o que, pela sua grande categoria, criava enormes embaraços para jogadores, times e Treinadores adversários. Dificuldades de ordem técnica e tática (numérica), pois o novo Sistema dispunha de 3 (três) beques que deveriam marcar 3 (três) atacantes. O avanço de Leônidas da Silva compunha um quadro de 4 (quatro) atacantes na área adversária, zona de perigo, o que influiu para que jogadores e Treinadores adversários clamassem pelo recuo de um dos meias-defensivos para marcar e conter as incursões do meia oposto (esse que recuou, o quarto jogador a tornar-se zagueiro, por isso, até hoje, no Brasil, chamado de 4o zagueiro), o que fez caracterizar, no Brasil e depois no Mundo, o surgimento de um novo Sistema, este genuinamente nacional, o G-4-2-4.
GOLEIRO
LATERAL CENTRAL QUARTO ZAGUEIRO LATERAL
MEIA DIREITA MEIA ESQUERDA
PONTA CENTRO AVANTE CENTRO AVANTE PONTA

Na realidade, a partir do lateral-direito, o central-esquerdo é o 3º zagueiro.
Ainda no Flamengo, a dupla de meias ofensivos, Zizinho pela direita, e Perácio pela esquerda, à época do tricampeonato, se aproveitava do espaço que o zagueiro central da equipe adversária proporcionava, quando se movimentava para marcar o centroavante Pirilo que, à época, já experiente, recuava para atrair o central, sabedor de que a característica da marcação, no Sistema Diagonal, era de marcar o homem, sem se preocupar com os espaços, o que não acontecia com o W – M, que solicitava dos jogadores a marcação do adversário na zona.
Após o ciclo de ouro do Flamengo, 42 – 43 – 44, o Vasco da Gama iniciou o seu, utilizando Ademir como meia ofensivo, caindo nas costas do meia adversário, criando assim, uma vantagem maior no ataque.
Em várias competições internacionais, a Seleção Brasileira sofreu com a utilização dos espaços atrás dos nossos meias, o que contribuiu para a solução do problema: o recuo definitivo de um dos meiocampistas, dependendo das características, da direita ou da esquerda, e depois, sua substituição por um jogador com características de zagueiro.
Consta que, em 1953, a Hungria também usou 2 (dois) centroavantes para dificultar a atuação do zagueiro-central isolado do W-M, pois os zagueiros laterais iam marcar os extremos adversários. Bella Gutlman, treinador húngaro, nessa época, trabalhou no futebol brasileiro.
O Sistema 4-2-4 foi usado no Brasil por muitos anos, inclusive em 1958, ano da Copa do Mundo na Suécia, quando vencemos pela primeira vez o Título Mundial, o mais importante da esfera esportiva.
Se, por um lado, quase todos os Clubes atuavam num 4-2-4 ortodoxo, com 2 (dois) extremas (ponteiros) bem abertos, avançados, e quase sem funções defensivas e de armação, por outro, novamente o Flamengo contava com um jogador que pela capacidade física, pelas características técnicas e pelo grau de inteligência tática, executava a função de ponta-esquerda de forma diferente. Era Mario Jorge Lobo Zagallo, mundialmente conhecido como Zagallo, que não se deixava marcar pelo lateral-direito, recuando para buscar a bola e partir para cima, em direção ao gol ou à linha-de-fundo. Além disso, recuava fechando um espaço pela esquerda do meiocampo que só contava com 2 (dois) jogadores, o que reforçava a capacidade defensiva e de controle do setor e do jogo, dividindo por 3 (três) o trabalho, com esforço de 33,3% para cada, ao passo que, com apenas 2 (dois) do Sistema anterior, cada qual carregava 50% do total do esforço para o setor, criando condições favoráveis para os 3(três) atacantes remanescentes, que tinham mais espaços para se deslocarem, quando o lateral adversário insistia em acompanhar o “falso” ponta-esquerda. Proporcionava ainda, ao lateral esquerdo, que, na Seleção, era o também genial Nilton Santos, o “Enciclopédia”, o espaço que, com maestria, sabia tão bem usar, com liberdade e por surpresa, avançar, pois contava que seu setor defensivo e sua função estariam cobertos pelo “Formiguinha”, como Zagallo ficou conhecido. De forma que, embora os times no Brasil jogassem no 4-2-4 e, mesmo a Seleção Campeã tivesse um verdadeiro ponta-esquerda, que foi titular antes do Zagallo, Pepe, jogador do Santos Futebol Clube, grande jogador, atualmente treinador, dono de um chute dos mais fortes de todos os tempos, que lhe proporcionou o apelido de “Canhão da Vila”, o sistema utilizado na conquista da Copa do Mundo na Suécia, em 1958, foi o inovador e também genuinamente brasileiro, o G-4-3-3. Foi o único título até hoje conquistado por um país noutro continente.
O recuo do Pelé, segundo observadores, já dava àquele sistema características futuristas de 4-4-2.
4 – 3 – 3 (1958 – BRASIL)
GILMAR
DJALMA SANTOS BELINI ZO’ZIMO NILTON SANTOS
ZITO DIDI ZAGALLO
PELE’
GARRINCHA VAVA’

Na execução do 4-3-3, algumas equipes faziam o recuo do terceiro homem pela esquerda, outros pela direita, com o ponta-direita, e algumas recuando um dos 2 (dois) pontas-de-lança (nomenclatura por analogia aos soldados que atuavam mais avançados nas batalhas, na guerra).
O título de campeão do mundo, conquistado na Europa, consagrou o Sistema, ou esquema, como também é conhecido no Brasil. Outras nações e clubes que não tinham ponta-esquerda com as características do Zagallo, mas reconheciam a necessidade de fortalecer o meiocampo e criar mais espaços no ataque, passaram a usar para recuar como meia, o ponta-direita, outros, ainda, confiando no trabalho dos pontas, preferiam recuar um dos 2 (dois) centroavantes. O que era recuado passou a ser conhecido como meia-ponta-de-lança.
Aliás, a maioria das equipes no Brasil preferiu essa formação, mantendo 2 (dois) pontas (um direita e um esquerda) bem abertos e um comandante-de-ataque.
O Bicampeonato Mundial, com a conquista do segundo título, em 1962, no Chile, praticamente com a mesma formação e sistema de jogo, nos fez dormir em berço esplêndido, deixando de buscar novas concepções e chegar ao futuro antes dos demais.
Fizeram-no os europeus, concluindo que nada conseguiriam contra o Brasil, jogando com o mesmo sistema, o romântico 4-3-3, no qual se jogava, e se permitia jogar.
Aperfeiçoaram, então, os métodos de marcação e coberturas, e deram grande ênfase à participação dos jogadores durante as partidas, encerrando definitivamente um período romântico de jogar Futebol, não mais permitindo aos adversários, espaço e tempo para jogar. No aspecto tático, objetivaram reforçar mais o meiocampo com o recuo de 1 (um) dos 3 (três) atacantes do 4-3-3 para tornar-se o 4º homem do meio-de-campo, aproximando e avançando os 2 (dois) atacantes remanescentes, que passaram a jogar forçando nos 2 (dois) centrais adversários, em bolas longas, de trás, ou nos cruzamentos das laterais, pelos laterais ou meias, que atuavam próximos da linha marginal do campo.
GOALKEEPER
BACK BACK BACK BACK
HALF HALF HALF HALF
FORWARD FORWARD

Foi uma das grandes modificações táticas no Futebol em todos os tempos.
O Brasil nada conseguiu em 1966, na Copa do Mundo, na Inglaterra, por diversos fatores sobejamente conhecidos, mas principalmente, por ser uma SELEÇÃO ENTRE-SAFRAS, a do Bi (58 e 62), e a que resgataria o título em 1970. Outros motivos foram a propalada falta de organização, a indefinição dos selecionados e a formação do time que, até a última hora, não fôra definida, criando um clima de desconforto e insegurança, além de não permitir ao grupo fechar-se em torno do objetivo, motivo de grande valor nas conquistas em esportes coletivos.
O ritmo em que se jogou a Copa na Inglaterra, a intensidade na marcação e o bloqueio dos espaços no campo superaram sistemas de jogo ultrapassados, pela modernização dos métodos gerais de preparação e do planejamento de jogo. Início de uma “Nova Era” no Futebol, menos artística, plástica e bela, mas não menos importante. Mal compreendida, à época, pelos analistas, que rotularam aquele estilo de “Futebol Força”, porque contrastava de forma gritante com o jogar e deixar-jogar do romântico ciclo recém-encerrado.
Mal compreendida e pior aproveitada a lição, senão por uns poucos que souberam honrar as raízes do Futebol brasileiro. Aqueles que não souberam “ver”, passaram a utilizar jogadores de maior compleição física na meia-cancha e no ataque, usando formas anti-jogo de parar a jogada adversária a qualquer custo; métodos de preparação com sobrecarga nas salas de musculação e força, valorizando sucessivas gerações de volantes (meias-de-proteção à defesa) “matadores”, que contrastavam com os clássicos centromédios de outrora, de semelhante função, que surrupiavam a bola, interceptavam passes e jogavam limpo, por desmarcados. Já os “gladiadores” modernos tentavam a retomada da bola brigando, agarrando-se ao adversário. Cometida a falta, a posse não era retomada; não marcada a falta, ainda próximo do jogador desarmado, permitia-se que esse os perseguisse, não deixando que o volante com a bola jogasse livre, limpo, começando um rápido e eficiente contra-ataque, razão de tantos gols.
Alguns profissionais de maior visão e sensibilidade perceberam a mensagem correta, aperfeiçoando os métodos de preparação física, até então incipiente entre nós, mas no sentido de melhorar e valorizar as qualidades próprias da nossa gente, do nosso Futebol: velocidade, agilidade, resistência orgânica, coordenação e ritmo.
Em 1970, Zagallo assumiu a Seleção, na função de Orientador Tático (Técnico) em substituição a João Saldanha, que classificara o Brasil para aquela Copa, com uma Seleção apelidada “Feras do Saldanha”, que teve por mérito maior definir desde a convocação 11 (onze) titulares e 11 (onze) reservas, numa evidente evolução, considerada a indefinição até a última hora, na de 1966.
Foi Zagallo quem levou o Brasil a dar outro passo isolado na direção da modernidade, escolhendo jogadores hábeis, técnicos e inteligentes: preparando, com sua Comissão Técnica, um programa de trabalho e um plano de treinamento de alto nível, que proporcionaram à Seleção voltar às origens, ao seu estilo de toques, alternado com o de lançamentos longos, de liberdade para fintar e driblar e de posse de bola, tudo bem adequado à altitude do local da competição, o México. Atraía os adversários, criava espaços e jogava rápido e longo nas costas da defesa oposta. Quase todos os jogadores tinham muita mobilidade e usavam os diversos setores e espaços do campo, só não comparáveis à participação e mobilidade do “Futebol Total” e “Aposicional” da Holanda, a “Laranja Mecânica” e seu “Carrossel”, que surgiu na Copa seguinte, em 1974, quem sabe?, inspirada na seleção brasileira de 70.
Digna de menção, também, a tática que os holandeses apresentaram de forma perfeita na Copa da Alemanha, em 74, chamada “Tática do Impedimento”, também avaliada erroneamente quanto ao objetivo. O Treinador daquela equipe, um dos maiores de todos os tempos, Rinus Michels, cansou de afirmar que o objetivo era a retomada da bola nos rebotes partindo para o contra-ataque, projetando de forma convergente para o adversário a quem a bola se dirigia, tanto seus jogadores de defesa, quanto os meias colocados atrás de quem recebia a bola, sendo que um destes meias, projetando-se na direção da linha de cobertura para tornar-se o homem de segurança, em caso de falha na ação tática.
SLIDE DA LINHA DE IMPEDIMENTO DA HOLANDA (A INSERIR)
Muitos, aqui no Brasil, viram, nessa inteligente tática, uma simples ação para colocar impedidos os atacantes adversários, manobra de preguiçosos e dos de pouca visão, a “linha burra”.
Essa mobilidade maior dos jogadores, evidenciada nas Copas de 70 e 74, deve ser considerada dentre as maiores evoluções quanto à forma de jogar. Antes, os jogadores se prendiam mais dentro do seu setor e da sua posição. Somente a partir daí o conceito de posição alterou-se no sentido da função.
Em 70, o que se fazia no Brasil, em nível de clube, ainda era um 4-3-3 ortodoxo, na maioria com 2 (dois) pontas bem abertos e um centroavante.
Bota ponta Telê!, bota ponta Parreira!, ainda em 82 e 84, se ouvia dos formadores de opinião e dos torcedores, defasados e parados no tempo, como se, na era do computador, a evolução não ocorresse em passos largos e de forma quase simultânea em todos os continentes. Às vezes, ouvimos ainda hoje, 1998, tal ultrapassada, porém veemente apóstrofe.
Parados no tempo, assistimos a europeus e alguns sul-americanos evoluírem do 4-3-3 ao 4-4-2; explorarem este Sistema nas suas formas mais complexas, e naturalmente, após esgotadas todas as possibilidades, ao passo seguinte: o Sistema G-3-5-2. Principalmente porque, nos países onde se jogava 4-4-2, se o fazia com os atacantes bem centralizados, como dupla de atacantes presa à área para as finalizações, o que criava sérios embaraços para as defesas com 4 (quatro), que pela distribuição por zona permitia aos atacantes uma posição de “mano-a-mano” com os centrais, sempre desvantajosa a quem defende. Natural e inteligente a solução encontrada de substituir por um zagueiro central a um dos laterais, que não tinha mais a quem marcar, pois ninguém jogava com pontas, passando a formar um trio de defensores na zona central da defesa, quase sempre cabendo a 2 (dois) “stoppers” – paradores de jogada, ou “hunters” – caçadores, marcarem os atacantes, ficando 1 (um) na sobra (na sombra e água fresca), como “sweeper” ou líbero, para cobrir os caçadores e a linha-da-bola, além de liberar o outro lateral, também sem função de marcação para jogar no meiocampo, ou substituindo-o por um meia especialista capaz de executar a função que no Brasil passamos a chamar de “ala”, em substituição ao antigo lateral, mas, como estes, jogando bem próximos à linha marginal do campo.
No Brasil, optamos por flexibilizar ainda mais o 4-4-2, evitando incluir no time mais 1 (um) zagueiro central, que geralmente têm mais dificuldades para jogar com a posse da bola, dando ao lateral oposto aonde o adversário vem com a bola, na função de fechar ao máximo o setor, mesmo que ultrapassando os limites da zona (como fez a Seleção U.20, no Campeonato Mundial na Austrália, em 93), passando a atuar como central, o que exigia a atenção e o recuo do meia do mesmo lado, para possível cobertura ao lateral que fecha e bloqueia aquele espaço (setor).
Ao lateral do lado da bola, cabe desempenhar sua função original de cuidar do seu espaço e marcar quem por ali se aventure. Lateral com lateral, ala com ala, lateral com ala.
Alternativamente com essa solução, o mediovolante de características mais defensivas pode recuar para marcar um dos atacantes adversários, executando o papel de zagueiro-central, a fim de propiciar a sobra de um dos zagueiros centrais, dependendo do lado donde a bola vier e da possível simultaneidade do avanço dos alas adversários mais ousados.
A Seleção Brasileira que disputou a Copa de 94, nos Estados Unidos da América, conquistando pela 4.a vez o Título Mundial, após 24 (vinte e quatro) longos anos de jejum, sob o comando do Mestre Carlos Alberto Parreira, usou expediente semelhante para enfrentar Seleções que jogassem com dois atacantes “enfiados”, principalmente os de melhor qualidade, que tinham bom cabeceio, obrigando, ao extremo, o cuidado de alterar o sistema básico, o que, geralmente, não convém, pois o melhor é jogar o seu jogo, sem se importar tanto com o do adversário. Às vezes, no entanto, torna-se imperativo adaptar. Então, o centromédio (1o volante) Mauro Silva recuava, passando da linha de zagueiros centrais, fazendo a sobra como líbero recuado para cobrir os centrais, a quem cabia a marcação e disputa com os 2 (dois) atacantes adversários. De resto, mantendo os jogadores em suas respectivas posições, no exercício das funções do 4-4-2, deles se exigia, apenas, um pouco mais, com que, pelas evidências, podiam arcar.
Na Copa Mundial de 90, no México, 18 (dezoito) dentre as 24 (vinte e quatro) equipes usaram o G-3-5-2, algumas, de fato, o 5-3-2, dentre elas o Brasil, numa iniciativa isolada do treinador, professor Sebastião Lazzaroni, de aproximar nosso Futebol da modernidade. Mas nenhum clube de grande expressão no cenário nacional usava esse sistema. Nossos jogadores e Treinadores, na sua maioria, ainda não tinham suficiente experiência a esse respeito, nem de soluções para alguns problemas que o Futebol apresentava no plano tático, como, por exemplo, jogar contra um time que, ao invés dos 2 (dois) atacantes fechados e centralizados os apresentasse bem abertos, como ponteiros. Essa situação força os 2 (dois) “cães pastores” (“hunters”), quando atuam na faixa central do campo e com a cobertura do líbero a ambos, a se transformarem em frágeis “EEK-POODLES[1]” nas margens do campo, enfrentando dribladores ágeis e sem a guarda do “anjo-líbero”.
| 3.5.2. – 1986/1990 (MÉXICO) | |||

A fundamentação da evolução para o 3-5-2 é clara, mas, aqui no Brasil, não demos esse passo, talvez com razão, por ele apresentar fragilidade nas laterais do campo, atrás dos alas e ao lado dos centrais, bem como pela má classificação obtida pela seleção na Copa. Não se pode, por outro lado, deixar de considerar a dificuldade que se encontra ao enfrentar dito sistema, que conta com 3 (três) zagueiros contra 2 (dois) atacantes do 4 – 4 – 2, e 5 (cinco) jogadores no meiocampo, mais do que qualquer outro anterior. Portanto, também em vantagem numérica nessa importante zona. E, quando do apoio dos alas, que pode ser simultâneo (ao contrário do que acontece com os laterais, que usualmente, atacam em forma de gangorra, um de cada vez) para formar uma linha de 4 (quatro), no ataque, contra 4 (quatro) defensores do 4-4-2 e 3 (três) do 3-5-2.
No Brasil, onde se usam cada vez mais os laterais no papel de alas, extrapolam-se os limites do 4-4-2 e dá-se-lhes toda a mobilidade possível, eis que usamos jogadores ecléticos, versáteis, rápidos e técnicos, por excelência, dando tempo ao tempo para os novos acontecimentos.
Dentro dessa evolução, fazendo recuarem, seguidamente, os atacantes para o meio, reforçando este setor do time, mantendo o controle e o domínio do jogo, e criando na frente os espaços a serem oportunamente ocupados por homens vindos de trás, em velocidade, seguiu-se o recuo de mais um atacante, a princípio, e depois sua substituição por um meiocampista, conforme previam estudiosos e pesquisadores.
Chegamos, então, ao G-3-6-1, já muito utilizado na Europa.
Entre nós, não se havendo sedimentado o 3-5-2, antes permanecendo o 4-4-2, o passo seguinte, pela demanda na marcação aos 2 (dois) volantes adversários na saída da bola, foi o surgimento do 4-5-1, não bem identificado pelos analistas menos perspicazes, mas concretizado no caso do São Paulo, dirigido pelo Mestre Telê, Bicampeão Mundial Inter-Clubes, em 91 – 92, que usava:
E, como único e legítimo representante da classe dos atacantes puros, o MÜLLER.
O Vasco da Gama, Tricampeão do Estado do Rio de Janeiro (92-93-94), nas duas primeiras conquistas, em 92 e 93, usava semelhante distribuição dos Atletas em campo, embora o funcionamento do sistema diferisse do sãopaulino, e alinhava a seguinte formação:
Como representante da espécie em extinção (salvo se medidas de proteção aos atacantes forem adotadas), o jogador VALDIR.
Indo um pouco mais longe no tempo, podemos, com convicção, afirmar que o sistema 4 – 5 – 1 já havia sido utilizado desde a década de 70, embora, à época, nenhum analista percebesse aquela realidade. Mencione-se que, em ambos os casos, a formação final foi obtida de forma bastante natural, produto da experimentação e de circunstâncias que levaram os Treinadores ao acerto. Trata-se da Seleção brasileira que conquistou o 3o. título mundial, no México, em 70, na qual Zagallo se valeu de um atacante puro, Jairzinho, o “Furacão da Copa”, e cinco jogadores com características de meiocampistas, Clodoaldo, Gerson, que jogou muito recuado para ajudar o volante e ter mais espaço para lançamentos, quase como segundo volante, mas com grande mobilidade e habilidade para avançar e finalizar; Rivelino, Tostão e Pelé, estes, como geralmente acontece quando se utiliza este sistema, meias-atacantes, ofensivos e goleadores. Na linha de defesa, quatro zagueiros, sendo que com total liberdade ofensiva para o lateral direito Carlos Alberto, e qualidade na saída de bola por contar com Piazza de central, pela esquerda, ele, que era meiocampista na origem.
Ainda nesta década, mais para o final, o Flamengo, que costumava jogar com ponteiros, pois possuía muito bons, com Reinaldo, Julio Cesar e Edson, acabou por conseguir os melhores resultados e produções quando, sob o comando de Paulo Cesar Carpegiani, utilizou: RAUL, linha de zagueiros com LEANDRO, MOZER, MARINHO E JUNIOR. No meio-campo, ANDRADE, ADILIO, ZICO, TITA E LICO, sendo esses dois últimos, jogadores que usualmente jogavam como meias ofensivos, tal como o Zico, mas se adaptaram maravilhosamente ao trabalho como meias próximos das laterais, proporcionando total controle do jogo, muita mobilidade e poder de assistência e finalização. Como único atacante, no incansável trabalho de abrir espaços, fazer a parede para as tabelas e chegar para concluir, o NUNES.
É uma tendência que mantida nos levará ao cúmulo, mas possível, com “Zero” atacante, num sistema que poderá assumir ares de G-3-7 ou G-3-7-0; G-2-8 ou G-2-8-0; G-1-9 ou G-1-9-0, e, quem sabe, o G-10 meiocampistas, que defendem, armam e atacam, encerrando inversamente o ciclo de volta desde o G-10, correndo atrás da bola, e o G-1-9 de 1863.
O futuro dirá, na dependência de possíveis alterações nas regras, ou nos regulamentos das competições, e baseado na evolução dos sistemas até agora, após esgotados todos os meios, tentativas e experimentações.
No Brasil, já temos algumas equipes jogando no G-4-6-Zero. O Santos, dirigido pelo Professor Cabralzinho, que fez sucesso no Campeonato Brasileiro de 1996, quando conquistou o vice-campeonato, usou na maioria dos jogos, exceto nas finais, um claro 4-6-0 com:
Nenhum atacante nato. Mencione-se que Jamelli, Marcelo Passos, Robert e
Giovani são meias de características ofensivas e se revezavam em
posicionamento, no setor de ataque, e muitos chegavam àquele setor com a posse
de bola.
[1] Nome do cão poodle do autor.
Oi … parabéns !
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Esse era o Sistema quando comecei a jogar no Cocota’: 4 – 4 – 2.
Jacare’ (G)
Melo – Pinguim – Drummond e Marcio (4)
Do’ e Mundinho (2)
Robertinho – Paulinho – Julinho- Pretinho (4)
Bj
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