CAPITULO II: SISTEMA DE JOGO

CAPÍTULO II

SISTEMA DE JOGO

    Entende-se por sistema de jogo a distribuição dos jogadores de um time em campo, em estrutura organizada, coordenados e unidos por princípio de interdependência, com funções definidas que se complementam e que se movimentam, visando, com o menor esforço possível, alcançar a melhor produção e resultado.

    Todo sistema, partindo de uma fundamentação teórica, básica, mas fundamental, objetiva proporcionar o funcionamento na prática, sem o que descumpre a sua finalidade precípua. Princípios gerais e movimentação complementam o Sistema.

    O Futebol, por natureza, é dinâmico, daí deverem ser criadas as condições de conhecimento, treinamento e aperfeiçoamento do sistema pelos atletas do time, de forma que sem descaracterizá-lo, se dê a necessária liberdade, mobilidade e confiança de criação, além, é claro, de capacitar o elenco a executar sistemas alternativos dentro da mesma partida ou de um jogo para outro, tornando-se mais defensivo ou ofensivo de acordo com as circunstâncias.

    Quando duas equipes se equivalem pelo nível técnico, a distribuição das tarefas de forma equânime, racional e inteligente, aproveitando as virtudes de cada jogador e a busca da complementação de estilos pode definir o vencedor. Sendo semelhantes as condições técnica e tática, a vitória se torna conseqüência do estado psicológico durante a partida.

    Sendo uma equipe reconhecidamente inferior à outra, faz-se necessária a utilização de um sistema de jogo de concepção mais defensivista, visando superar o adversário, ao menos numericamente, nas zonas de segurança (setor defensivo) e de controle do jogo (setor intermediário).

    Por outro lado, sendo uma equipe superior à adversária, faz-se inteligente usar um sistema de concepção ofensiva e um plano de jogo que leve ao domínio, pela distribuição avançada das linhas, e busca constante da criação das oportunidades que levem ao gol. A melhor equipe pode dar-se ao luxo de cuidar menos dos aspectos defensivos a fim de ter mais energia para investir nas ações ocorridas nas zonas de criação (intermediária) e de finalização (ofensiva). Some-se a distribuição dos atletas pelos setores da forma mais equilibrada e harmoniosa possível, respeitando, entretanto, o que diz respeito à marcação com a intenção de não trazer o adversário para perto da sua área mas, principalmente, visando permanecer o mais próximo possível do objetivo a ser alcançado que é fazer o gol.

    Sendo ambas as equipes contendoras de nível técnico igual ou semelhante, a distribuição deve levar ao máximo o equilíbrio entre ataque e defesa, e o esforço maior num ou noutro sentido dependente das estratégias para a partida e a competição, ou ainda como fator surpresa.

    Antes, jogava-se futebol sem maiores preocupações defensivas, com os jogadores atuando livremente na busca do gol, em que toda a equipe se mobilizava com o objetivo único de consignar os tentos.

    Desde o século XIX, jogava-se nos pátios dos colégios e universidades inglesas, cada qual com suas características e regulamentos próprios, inclusive quanto ao número de jogadores.    Tal como conhecemos hoje, o futebol data de 1863, quando, após fundada a “English Football Association”, os representantes dos 11 (onze) fundadores se reuniram com o fim de unificar as regras.

    Concebe-se o sistema de jogo de acordo com dois fatores:

    1 – Pelas características físico-técnico-táticas e psicológicas dos jogadores. Assim, temos a considerar que:

    – Defensores são os guardiães da meta, da baliza, a começar pelo goleiro, por vezes não citado no enunciado do sistema e que possui características bem peculiares, como poder usar as mãos na sua própria área, e pelos jogadores – zagueiros do time com melhor aptidão para marcar, desarmar, cobrir, rebater e cabecear defensivamente. Aqueles que, por instinto, se colocam entre a bola e o meio da linha de gol para defender sua cidadela.

    De forma geral, são futebolistas de boa compleição física, fortes, com boa impulsão, de velocidade explosiva e continuada, além de capacidade de recuperação.

    Do ponto de vista psicológico, são geralmente possuidores de grande senso de responsabilidade, perseverança e liderança. Quase sempre com vigor próximo à violência, brutalidade e truculência. No início, chamados beques e depois zagueiros. Xerifes!

    – Armadores são os que atuam no meio-de-campo, geralmente, os de melhor qualidade técnica, boa visão de jogo, passes mais corretos, bons no controle da redonda e do jogo, além de assistentes e finalizadores. Com a diminuição do número de atacantes, se costuma dizer que se os meias não fazem gols é melhor não os ter. Também possuem qualidades de marcação e desarme.

    Do ponto-de-vista da aptidão física, os de grande capacidade orgânica, resistentes, coordenados e ágeis. São capazes de percorrer, nos dias de hoje, mais de 11 (onze) quilômetros em diferentes ritmos, por partida. Geralmente de estatura mediana (mesomorfa) ou mesmo baixos (endomorfos) e muito ativos.

    Sob o prisma psicológico, atuam no meio-de-campo os determinados, perseverantes, altruístas, organizados e inteligentes, futebolisticamente falando.

    Considerados, pela soma de fatores, ”o cérebro”, “o pulmão” e “o coração” dos times de Futebol.

– Atacantes são aqueles com características ofensivas, bons fintadores e dribladores, boa condução da bola em velocidade, destacando-se, sobretudo, pela capacidade de finalizar e fazer o que deles mais se espera, a alegria de todos, o gol. Em quaisquer circunstâncias, mesmo nas mais adversas que se possa imaginar, ou contra o relógio, o atacante, artilheiro, não nega fogo, tirando do fundo da sua “cartola” uma resposta positiva que leva ao delírio e êxtase seus admiradores, seus fãs. Nem sempre de forma plástica, artística e legal, mais pelo senso de oportunismo, colocação, coordenação e malandragem. Intuição, sangue frio, instinto puro!

    Geralmente possuem bom cabeceio ofensivo. Alguns são especialistas e quase somente assim fazem seus gols.

    No aspecto psicológico têm certa necessidade de aparecer e se exibir. Costumam ser vaidosos, irreverentes, um tanto moleques (no bom sentido da palavra) para ludibriar zagueiros e goleiros adversários. Quase sempre egoístas, por caber – lhes, na maioria das vezes, a definição das jogadas. O tempo ensina-os a se tornarem menos egoístas, ajudando aos companheiros nas ações defensivas e servindo-os quando melhor colocados, proporcionando-lhes créditos importantes para continuarem atuando como astros-reis, à semelhança do Sol, centro do “Sistema Golar” (neologismo querendo significar o conjunto de jogadores que funcionam na definição do gol).

    De temperamento difícil, impulsivos, alguns até mesmo agressivos, debochados, mas sempre objetivos, determinados, obstinados, predicados próprios da sua natureza.

    Principalmente os ponteiros, atacantes que atuam próximos da linha lateral do campo, tão raros hoje em dia, e que têm na impulsividade e explosão muscular as mais fortes características e que, devido ao desgaste em cada participação, pelo dispêndio de energia da potência exigida para vencer os oponentes, precisam de maior período de recuperação. Isso levou os Treinadores modernos a usar em seus lugares jogadores com características de meio-campistas, a fim de aumentar o domínio e manter ao máximo a posse de bola, mesmo em prejuízo da beleza do espetáculo, sem a eficiente habilidade dos extremas natos, suas fintas, olés, dribles e arrancadas pelas laterais do campo, que faziam e ainda fazem a festa e a alegria dos torcedores.

    2 – O outro fator que se pode considerar para definir um sistema é quanto à ocupação dos setores em que se costuma dividir o campo de jogo, a saber:

ZONA DEFENSIVA-  o primeiro terço do campo, visto longitudinalmente, onde os zagueiros se concentram para proteger a baliza. Delimitado pela própria linha-de-fundo e a intermediária (linha imaginária entre a frontal da grande área e a do meio-campo). Nesta parte do campo dispõem-se os escolhidos para defender com maior freqüência, responsabilidade e dedicação a sua baliza. De forma geral, os eleitos são os jogadores de maior capacitação defensiva, embora se possa colocar neste setor, por necessidade ou opção tática, atletas com outras características, o que, por vezes, leva ao aperfeiçoamento tático, melhora a produção do time em campo e, por fim, a um novo sistema.

ZONA INTERMEDIÁRIA   – contígua à Zona Defensiva, e o segundo terço do campo. É delimitada pelas duas linhas intermediárias (as imaginárias entre a linha de meio-campo e a linha frontal da grande área). Nesta, colocam-se os meio-campistas (armadores ou apoiadores, ou meias, ou ainda, médios), aqueles da equipe com mais senso de organização, liderança tática e que, além da capacidade de trabalho, melhor “lêem” o jogo. Nesta Zona, travam-se as grandes batalhas que podem levar à vitória final, quando menos, ao domínio territorial. Ela antecede a terceira Zona de campo.

ZONA DE ATAQUE- setor mais próximo da baliza adversária, onde os gols devem ser preparados e consignados. Nela são posicionados os maiores responsáveis pelas investidas à baliza do oponente e, por conseguinte, aos gols, que fazem do nosso esporte o melhor do Mundo.

     Ao ataque podem e devem lançar-se atletas de outros setores, principalmente nos dias de hoje, quando há necessidade de muita mobilidade na participação dos jogadores, pela diminuição do número de atacantes na frente. Para definir o sistema, porém, consideram-se aqueles que na Zona de Ataque atuam a maior parte do tempo.

2 comentários Adicione o seu

  1. Avatar de jlcleal jlcleal disse:

    Exceção. Muito bom mesmo.

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    1. Avatar de juliocesarlealjr juliocesarlealjr disse:

      Não consegui botar três campinhos com as áreas defensiva, intermediaria e de ataque… vou tentar de novo! Beijo e bom Domingo!

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