EXXXTÓRIAXXX DO BADUZINHO ZÉ JULINHO: No. 7 – Verídica -Banana Mecânica

EXXXTÓRIAXXX DO BADUZINHO

ZÉ JULINHO

No. 7 – Verídica -Banana Mecânica

No início da década de 1970, a Holanda jogava um futebol aposicional cheio de craques dirigido por Rinus Michels que lançou o G – 3 – 5 – 2, entrando para a História como a Laranja Mecânica ou Carrossel Holandês, assim como Vicente Feola fincou a bandeira no futuro, primeiro brasileiro campeão do mundo, em 1958, tendo como protagonista Zagallo (jogador, ponta esquerda que recuava para ajudar o meio campo – Zito e Didi – e o lateral – Nilton Santos) barrando o excelente ponta esquerda ofensivo e goleador, o Canhão da Vila, Pepe. E bi com Aymoré Moreira no comando, em 1962, com o mesmo esquema.

Mais tarde, em 70, com Zagallo como Treinador e inovador, portanto antes da Laranja Mecânica, já fizera um futebol relativamente aposicional, recheado de pernas esquerdas, de cobras, que nos times executavam semelhante função, jogavam na mesma posição (Rivelino, Gerson, Tostão), do genial camisa 10 Pelé, , além do também sinistro Everaldo e do habilidoso volante Clodoaldo.

A cor do uniforme holandês (cor da abóbora) chamava a atenção, e o time parecia uma máquina, ou um carrossel, não parava de rodar, daí Laranja Mecânica ou Carrossel Holandês. Mesmo com todo o sucesso aquela equipe não ganhou os mundiais que disputou, nem jamais foi Campeão, chegando perto, ao Vice 3 vezes: 74 (derrotada pela Alemanha Ocidental), em 78 (derrota para a Argentina) e em 2010 (para a Espanha).

Inspirados naquela Laranja Holandesa os jovens do Bairro do Cocotá, na Ilha do Governador, do Esporte Clube Cocotá, que jogaram futebol de campo e de salão, já concluídas as suas respectivas faculdades, se motivaram a criar um time de salão que jogaria na quadra do seu clube, às segundas feiras, dia em que o clube não abria e todos tinham disponibilidade.

Conseguiram a liberação do Presidente Seo Toninho (Antonio de Almeida Santos, padrinho com Dona Eloá do Baduzinho, melhor presidente com quem trabalhou). Pensaram na camisa amarela, cor de Ouro e pela qualidade dos jogadores, apelidaram de Banana Mecânica. Fazia parte do grupo que criou o time o Porteiro do Clube, Arlindo, Amigo de todos, muito engraçado como quase todos os fofos. Como era gordo, apelidado de Rolha de Poço, ou ainda Agulha (de costurar lona de circo). Na portaria mexia com os garis que passavam pendurados no caminhão (o circo chegou!!!!) ou com os que entregavam açúcar no mercado (abelha!!!).

Eram pândegas aquelas manhãs, ele tinha que estar na porta, conferindo as carteirinhas, como um “hostess”, mas nos momentos vagos mexia com os outros e, recebia as gozações também: os do Comlurb, quando seu caminhão fazia a curva antes do clube, na Cleto Campelo, em frente à Gaivota, começavam a entoar um cântico: rorrorrorrorrorro e quando passavam na frente do Arlindo, que ainda tentava se esconder – mas como com quase 200 quilos? – completavam – rolhadepoço!!!!!!!) e recebiam de volta: o circo chegou!!!!. “Os abelhas”, do mesmo jeito começavam antes da curva: aaaaaaaaaaaaaaa, e na frente do clube completavam, aguuuuuuuulhhhha!!! E recebiam o carinho de volta: abelhaaaaa! Todos se divertiam. Outros tempos! Os de hoje são um pouco chatos, com muito mimimi.

Agulha tomou as rédeas, tinha mais tempo do que os jovens já trabalhando e começou a pensar no uniforme todo amarelo Ouro, numa rifa para comprar o material, contatos para a liberação da quadra, pois o Cocotá não abria às segundas.

Todos já haviam jogado Futebol de Salão (mais tarde Futsal) no Clube, mas o Cocotá ainda não disputava competições (somente mais tarde o fez), pois todos eram inscritos e jogavam no Campo, no D.A. (Departamento Autônomo da FERJ). O Técnico então, era Dacica, um pouco mais velho, uma adorável figura, que a todos conhecia, comandava com carinho, a ponto de às vezes um ou outro jogador virar-se para ele no banco e vociferar: Dacica, pede um tempo e dê um esporro na gente que estamos a jogar nada. Ele fazia do seu jeito maneiro e o time voltava melhor. Como no Brasil todo mundo é técnico de futebol, éramos também!

Protagonizamos grande jogos com times da Ilha (o Iate Clube Jardim Guanabara do Zé Moraes e Família era temido no Salão, no Society e no Campo), foram grandes embates lembrados até hoje, amistosos que fortaleceram a Amizade de todos os insulanos definitivamente, e times de fora também, até de clubes da divisão principal. Levaram alguns tocos.

Sabia-se que o Banana traria de volta aquele ambiente fraterno que toda equipe precisava ter com as experiências antes adquiridas.

Tudo indo bem, mas a rifa não chegou ao valor pretendido (não havia Superball nem Seo Natal como no Lusitânia do Baduzinho em Madureira), chegou o dia do jogo de Estreia marcado pelo nosso Técnico Arlindo contra o time onde jogou mais jovem, ainda magro, de Maria da Graça, Amigos dele, gente boa e um timaço, segundo suas informações.

No dia em que o clube não costumava abrir a torcida encheu o ginásio em construção, a nossa e a deles. Todos no vestiário com a preocupação de não ter uniforme para jogar, cada um trouxe só seu tênis e o suporte, uns trouxeram meias.

Paulinho e Baduzinho ligaram para o Presidente Seo Toninho, contaram o problema e receberam o sim para chamar o responsável pelo almoxarifado e ceder um uniforme já usado, antigo (camisas, calções e meias). As camisas não podiam ser de listras, embora preto e branco, pois o uniforme do adversário, sabíamos, era de listras verticais azul e branco, shorts azuis e meias listradas deitadas branco e azul. Sobraram umas camisas que um dia foram brancas, mas de tão usadas, pareciam sujas, estava mais para a cor dessas sandálias da Havaianas, “as encardidas”, os shorts que foram pretos estavam desbotados, mais para brancos, também encardidos, e as meias variadas como as de um time de pelada, umas pretas (quase brancas, outras brancas quase pretas e outras listradas – quase uma só cor).

Fizemos nossa corrente de união (uma das mãos dá, a outra recebe para não quebrar a energia), tudo pela vitória e partimos em fila indiana, Paulinho Tiribiça, o Capitão à frente. Um corredor polonês amistoso foi preparado pelos adversários para nos recepcionar: passávamos entre aqueles jogadores perfeitamente uniformizados, alinhados e engomados, tudo novo, estalando de novo, agradecíamos e sentíamos o sorriso de canto de boca dos educados adversários, Amigos de Amigo, mas não podiam eles deixar de notar a baba de uniforme que o Banana usava (que mais parecia quando a banana está já podre).

Vamos ao jogo que é o que interessa: motivados pelas adversidades, pelo desafio, pelo olhar de desdém com que foram recebidos, em nome da Amizade e do futuro do Banana Mecânica partiram com tudo, como se fosse o jogo final e decisivo de campeonato. 24 x 0. Falar o que do jogo? O que comentar se faz tanto tempo e um resultado desses?

Ao fim abraçamos os nossos adversários, jamais inimigos e vida que segue. Parece o time deles acabou ali. o “Banana Mecânica” seguiu firme, invicto, invencível!

Apressou-se a compra dos novos uniformes, time com moral com o presidente, os dirigentes e torcedores, a casa esteve tão cheia como poucas vezes nos últimos anos e, cada semana mais gente vinha superlotando as dependências do Ginásio ainda em fase final de construção, o acabamento.

Todo mundo queria tirar uma casquinha daquela banana, chegou-se até a pensar em cobrar cotas (alguém que pensava em dinheiro um dia falou na reunião), mas não era do nosso feitio, só queríamos jogar, curtir, passar o tempo e fazer nossos Amigos felizes, a vida é curta, mais ainda para alguns.

Ganhamos a segunda, a terceira, quarta… cada time melhor do que o outro, alguns vencidos facilmente (24 nunca mais), outros em jogos equilibrados e outros uns timaços, até times formados por jogadores dos grandes clubes nos desafiaram, mas não vinham oficialmente, vinham como grupo.

 Belo dia ali pelo meio da existência do Banana, veio um time que já enfrentáramos na época do Cocotá Salão, há anos, vizinhos ali da Morávia que eram reforçados por Fuzileiros Navais que jogavam muito e fortíssimos fisicamente, tinham o conjunto de muitos anos – futebol é conjunto. Time completo, casa cheia, equilíbrio, Baduzinho não lembra bem a sequência de ‘score”, mas perto do final do jogo, apesar de todo o esforço, pela primeira vez o time atrás no resultando faltando uns 5 minutos, 4 x 5, todos cansados, Baduzinho extenuado, pediu ao Técnico Agulha para substitui-lo, surpreso o Técnico colocou um bom reserva ofensivo. Baduzinho saiu pelo meio da quadra na direção da obra que estava sendo feita para completar o ginásio, ainda com caibros e lá no fundo vomitou quase a alma, mas essa ficou, voltou e disse ao Arlindo, pode me botar. Rolha botou no lugar de outro que não o que o substituiu, time mais ofensivo, tudo ou nada, faltavam uns 2 minutos se muito: gol de Julinho Baduzinho, 5 x 5. Mantida a invencibilidade, fizeram das tripas coração. Ainda não batida a Banana Mecânica!

E assim foi por quase 2 anos, praticamente 104 semanas (2 anos, descontadas umas poucas folgas), pois a torcida não deixava espaço, queria curtir a segunda feira como se sexta fosse, virou festa! Banana Mecânica acabou invicto, fez nome no Clube e até na Ilha, mas os ex jovens tinham que seguir suas Carreiras: Advogados, Economistas, Engenheiros Químicos, Engenheiros Civis, Professores de Educação Física, Treinadores, Administradores e tantas outras, e não dava mais para jogar às segundas.

Tempo bom!

Orações aos Céus àqueles que partiram para se tornarem Estrelas antes dos demais.

ELENCO: Fio, Fanal, Marco Aurélio, Arnaldo Paraíba, Bolãozinho, Jairo, Gil, Marco Aurélio (irmão do Bolãozinho), Paulinho, Bolão e Julinho Badu.

TÉCNICO: Arlindo Agulha.

P.S. – Gratidão ao Bolãozinho (que jogava um bolão) e ajudou na relação dos nomes dos jogadores do Banana Mecânica.

P.S. 2 – Assim me lembro dos acontecimentos, desculpe qualquer falha ou erro.

P.S. 3 – D.E.P. Querido Tio Amauri Rodrigues, Esposo da Amada Tia Belita, irmã de Seo Julio. Missão muito bem cumprida!

P.S. 4 – Há 11 anos e 9 meses tornou-se Estrela também no Céu Sônia Tinoco, minha Eterna Rainha Feiosa, Rosa Negra! Amei, Amo e sempre Amarei! Deus abençoe sua Alma e uma outra linda Missão! 3 de abril de 2026.

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