EXXXTÓRIAS DO BADUZINHO ZÉ JULINHO
N. 6: Verídica – De último no 1º. Turno a Campeão – Incrível! Mentira Terta? /Verdade!
Ainda em Madureira Baduzinho experimentara as primeiras lições da atividade de técnico (como eram chamados os responsáveis pela preparação de equipes, mais tarde, em 1993, com a Lei 8650 a função passou a denominar-se Treinador Profissional de Futebol), na Vila 516 da Carolina Machado, a do Bicho do Seo Natal, com o time que ajudou a fundar, Lusitano (camisa verde golas e barras das mangas vermelhas como a camisa de Portugal), mesmo mais novo do que alguns exercia liderança natural e comandava as regras do clubezinho e as coisas do time.
Seo Julio, o Pai, militar paraquedista no começo da carreira, era familiar com esporte, como quase todos os militares, graças à ESEFEX (Escola de Educação Física do Exército), criada juntamente com a EEFD/UB por Lei em 1940. Jogava Basquete, Futebol (inclusive na Seleção do Exército, reserva do Castilho, esse do Flu e da Seleção, conforme Baduzinho já disse em post anterior) e Futebol de Salão. Também corria distâncias longas. Uma vez, de folga no trabalho ficou observando o filho bater bola no paredão onde tinha pintada uma baliza- Baduzinho tinha uns 4 ou 5 anos, boa idade para se aprender de um tudo, cerebelo limpinho – e quando iam entrar para casa, a penúltima do lado esquerdo, antes da parede com as traves pintadas, pôs a mão no ombro de Baduzinho e disse: filho, chute também com a perna esquerda até que ela fique boa, se você é bom chutando com a direita vai ser melhor jogador se também souber usar a esquerda. Dito e feito, lição aprendida. Treinava letra também, às vezes a passada não está certa com a bola. Mais tarde ensinava a seus jovens jogadores a passar, dominar e chutar com ambas as pernas, uma de cada vez, como dizia Garrincha quando lhe perguntavam de chutava com as duas. Ah, e deu valor ao paredão nos treinos.
No Imperial, jogando Futebol de Salão (Futsal mais tarde) muito aprendeu com Seo Altamiro, o primeiro Técnico que teve, mesmo sendo goleiro (também era utilizado na linha às vezes – não havia o “goleiro-linha” como hoje há). Aprendeu a cabeça erguida para conduzir, passar e chutar (embora alguns sejam mais talentosos nessa arte), e a dar valor ao chute de bico, muito usado no Salão, gol de bico é feio, mas também vale).
Uma vez na Ilha, passando de Baduzinho a Julinho (exceto para os mais chegados), jogava no Cocotá, dali foi com o Dó (Deus o tenha) ao Olaria – por convite, após um Amistoso – e convidado por Seo Otto Feige (um austríaco que todos pensavam ser alemão, fugido com a Mãe da Guerra) para treinar as crianças do Clube numa Escolinha a ser criada. Diretor de Futebol à frente do seu tempo, criou as Escolinhas no Clube, a partir de 8 anos, 9, 10 e 11, muitos associados tinham filhos nessas idades.
Topou o desafio, mesmo antes de entrar para a faculdade de educação física, organizava os treinos à noitinha, no campo já iluminado, duas vezes por semana. Um mundão de garotos. Independente da qualidade todos treinavam, aos poucos os mais destacados começaram a formar na equipe Dente-de-Leite que mais tarde viria a representar com sucesso o Cocotá nos Campeonatos Cariocas e nos jogos televisados pela Tupi, competição importante criada por Ivo Gorgulho. Dava Prêmios ao Melhor da Partida. O Goleiro Fernandes ganhou uma!
Desse trabalho saíram João Carlos Costa (Botafogo), Hudson (Botafogo) – Filho do Grande Hudinho, Fernandes (Flamengo), Affonso (Flamengo) e muitos outros. Alguns ficaram e foram subindo de Categoria, a seguinte sendo o Infanto-Juvenil, em 72 e 73, depois ao Juvenil e à Equipe Principal. João Carlos, além de jogar no Botafogo, fez Educação Física e tornou-se Treinador de Futebol, trabalhando com Julinho no Flamengo e na Seleção Juvenil, depois dirigindo o Flamengo de Zico, e o Zico no Kashima Antlers do Japão. Campeoníssimo! Hudson tem uma Escolinha muito conceituada na Ilha.
O grupo foi crescendo junto, somando-se a ele alguns convidados de outros clubes até que veio o Campeonato Infanto -Juvenil de 1973, Competição Estadual, com todos os Clubes de grande, médio e pequeno investimentos, e alguns do D.A. da FERJ, como Cocotá e Satélite.
Competição de nascidos em 1956, se a memória não trai. Apesar do esforço dos jogadores, do apoio da torcida e da Diretoria, a Equipe não desenvolveu um bom futebol no turno inicial, faltava algo, talvez cérebro ou alma, talvez ambos, experiência quem sabe… e a equipe ficou em último lugar no primeiro turno. Desanimar jamais, dizia Baduzinho aos Atletas, vamos trabalhar e lutar mais. Entre os turnos um associado abordou o Técnico dizendo que conhecia um jogador de fora da Ilha que fora dispensado pelo Flamengo, meia ponta de lança, de nome Nelson que queria jogar. Juntou a fome com a vontade de comer, Seo Otto (era dono de uma borracharia e relativamente abastado) providenciou transporte para o novo jogador, um homem bom, visionário (implantou no Clube no início da década de 1970 o Xadrez, o Tênis de Mesa, Teatro, Hipnose, Psicólogo, Olimpíadas Internas e muito mais).
Primeiro treino antes do Returno iniciar, todos desconfiados, quem será esse único inscrito para o segundo turno? Joga bem, não joga… é bom ou ruim… vai entrar no lugar de quem? Primeiro tempo no time reserva, Nelson fez o Sol brilhar à noite, melhorando a luz do Estádio Agostinho. Na segunda parte do treino coletivo, já no time titular, com a 10 nas costas, fez a equipe jogar como nunca, um Maestro, apontava aqui, ali, recebia, tocava, incentivava, corria, parecia estar em toda parte, e jogava muito bem, dava assistências e fazia gols. Baduzinho, digo: Julinho, até hoje não sabe por que foi dispensado de um Clube, se é que foi… ou foi outra razão, mas viu seu time crescer, começar a ganhar, trazer a Torcida junto (liderada pela Dulce Rosalina do Cocotá, a Dorinha), conquistar o segundo turno e disputar o título com o campeão do primeiro, o Satélite, quem diria: entre os clubes de grande investimento, 2 (dois) do D.A. disputando a Final.
Deu Cocotá! Campeão!!
Sorte do Treinador que nasceu numa sexta 13 de abril, em 1951, Campeão Carioca Infanto-juvenil em 1973, que teve seu Técnico de 22 anos nominado o Treinador do Ano pelo D.A. Com Diploma e tudo!
Quem merecia era o Nelson, com todo o respeito! Baduzinho – Julinho não cansa de agradecer ao Nelson pela transformação acontecida, ao Elenco que se superou e a Deus pela conquista!
Baduzinho jamais viu isso: último no primeiro turno, vencedor do segundo e Campeão!
P.S. Parabéns à Prima Helena Magalhães pelo seu aniversário! Felicidades!
P.S. 2 – Parabéns à Querida Amiga Paloma Branches pelo seu aniversário! Felicidades!
P.S. 3 – Parabéns à Carlol (Carolina), irmã do Rafa e Filha do Fernando e da Larissa, Amigos do Vitor e da Gaby. Felicidades!
P.S. 4 – Não achei a foto do Diploma nem a fotode jornal com Baduzinho e os Jogadores da Escolinha do Cocotá. Quando achar colocá-las-ei (com a vênia do Temer).


By Jucele
Julio Leal
15 de março de 2026