EXXXTÓRIAXXX DO
BADUZINHO – ZÉ – JULINHO
No 5: Verídica – Nova Morada, Ilha do Governador – Pretinho chama Baduzinho para assistir a um treino no Cocotá
Seo Julio, Pai do Baduzinho, militar e filho de militar, não se conformava em morar na avenida do Bicho, embora lá na vila fossem muito bem tratados, proporcionando ótima infância aos filhos. Preocupava-se com o futuro. Assim que pôde mudaram-se para uma ilha, pedaço de terra cercado por água em todos os lados, a do Governador, não a da Pedra da Moreninha, dos Amores, mas aquela que tinha a Pedra da Onça e de muitos Amores do Baduzinho, sendo um, Eterno, uma Insulana Moreninha.
Ilha grande, de poucos moradores, uns 50.000 à época (hoje tem mais de 1 milhão), praticamente todos se conheciam. A casa parecia um Castelo, com Torre e tudo, Gruta com Nossa Senhora, toda sorte de frutas (menos jaca), residência de Rei, Rainha, uma Princesa de nome Junira (Ju) e 1 Príncipe (Jairo). Morava, ainda, um plebeu, o Zé (síncope de Jucezinho, esse apelido comprido dado pela Vó Lygia que o Mano Jairo não conseguia falar), Julinho para os novos Amigos, exceto os mais íntimos que sempre o chamaram Badu, Baduzinho, pois conheceram os Amigos de Madura que vinham pegar uma praia com os novos moradores, munidos daquelas câmaras de pneu de caminhão. Badu Vô morou ali muitos anos também.
O primeiro Amigo (sempre com A maiúsculo, como em Família, Você, Amizade, Tu, Natureza, Amor e Deus, foi Edevaldo que morava numa casa simples em grande terreno ao lado da casa vizinha, sem moradores. No terreno do Edevaldo tinha muitas jaqueiras, era festa o ano todo, aprendemos a abrir e debulhar. O Segundo foi o Bolãozinho, que também estudava no Pedro II (assim como seu Mano Marco Aurélio que Little Badu conheceu depois). O terceiro foi o Pretinho (até hoje não se sabe seu nome), irmão do Gerôncio e grande Família, que morava ao lado da casa contígua, a da Dona Palmira, que só vinha das Laranjeiras nos fins de semana.
Pretinho jogava bem! A Ilha tinha muitos campos, terra de grandes jogadores, um deles, do Itacolomi, dentre os maiores de todos os tempos, Nilton Santos, que tinha um irmão gêmeo (talvez não gêmeo, mas era semelhante, igualzinho) que também jogava muito e defendeu as cores do Cocotá, também lateral esquerdo (uns diziam que era melhor do que o Nilton… da mesma forma que uns diziam que, Eduzinho (um Amado do Baduzinho) melhor do que Zico, mas Nilton foi bi mundial e chamado “O Enciclopédia”.
Pertinho, a menos de 1 quilômetro, estava a Praia do Cocotá, apelidada à época de Castelinho da Ilha, a das meninas bonitas, com campo de futebol, frescobol e voleibol, além de 1 campo de medidas oficiais de praia no Saco do Cocotá, onde os times jogavam de sunga ou short e gorrinhos que diferenciavam os times. Gonzaguinha que morava com seu Pai Gonzagão e Família ali perto da Igreja, jogava num desses times, magrinho, era muito habilidoso, tanto quanto como Compositor. Xinxa, Robertinho, Nei, Dico, Miltinho, e muitos outros, inclusive o novo morador Julinho. Mais jovem, Baduzinho às vezes era mandado para o gol!
Um dia, Pretinho, que jogava no Juvenil (até 20 anos) do Cocotá, ponta esquerda raiz, driblador para o fundo, veloz e de bom cruzamento, passou no Castelo, chacoalhou a corrente com cadeadão do portão e chamou o plebeu Julinh0, ex Baduzinho, para assistir seu treino no E. C. Cocotá, na Cleto Campelo, a 200 metros. Em lá chegando, treino sob o comando do Técnico Galhardo, soube que um dos goleiros não aparecera. Pretinho vira Julinho agarrar numa das peladas na praia (para quem se jogava em todas as bolas e dava bicicleta no paralelepípedo da vila e nas quadras de taco e de cimento, na areia era muito melhor, na grama também), muito esforçado, embora baixíssimo (aos 13 anos era o segundo mais baixo de todo o Pedro II, só ganhava do Grilo, que era mínimo) e recomendou ao Galhardo que aceitou desconfiado. Emprestaram chuteiras (jamais usara), camisa e calção acolchoado, joelheiras não quis, luvas não havia. Chuta no alto que o goleiro é baixo (escutou a vida toda), mas tinha agilidade, reflexo do salão, posicionamento e saltava muito. O Técnico gostou, talvez houvesse escassez de malucos na área, e chamou Baduzinho, digo: Julinho, para voltar. Voltou!
Sorte sua, pois aquele time era muito bom, mais tarde campeão da Série B do D.A. (Departamento Autônomo) da F. E. R. J. em 1969, e Vice no primeiro ano na Série A, em 1970, que contava com grandes e antigos Clubes, como Nacional, Municipal da Ilha de Paquetá, Pavunense, Ramos, Manufatura, Royal da Ilha do Governador, Carioca, Santa Cruz, Kosmos, Rosita Sofia e outros, à época era como a segunda divisão do Futebol Profissional, pois não havia segunda e nem terceiras divisões. Dali daqueles times e, em especial do Cocotá, muitos saíram para os Clubes profissionais, na maioria ainda nas categorias de base, como Robertinho-Garrinchinha (Roberto Carlos) que jogou no Botafogo, no Santos ao lado do Rei e na Seleção Olímpica, Paulinho Tiribiça que atuou no Juvenil do Fluminense (Paulo Cesar Pereira Alves, sobrinho do J. Alves que jogou com Zizinho no Bangu), Jacaré (também goleiro), Dó, Rui, Lima, Erly, Alberdan (o melhor e maior drible rabo de vaca já visto) e até o Julinho que foi chamado para o Olaria junto com o Dó após um Amistoso, sendo campeões de Escolinhas (até 18 anos) em 1968. A maioria dos bons jogadores da Ilha, preferia o aconchego do bucólico local, a saída para treinos et catera assustava a muitos.
Outrora o Cocotá já conquistara lauréis, jogadores que então jogavam nos veteranos (acima de 32, ou nos cacarecos (mais de 50). Beto Preto, Lino, Vassalo, Aurinho, Paulo Baiacu, Helinho, Walter Alma Grande, Turquinho, Machado (dava 1 só passo para bater o Pênalti) e muitos outros bons.
Julinho Baduzinho jogou no Olaria (Campeão em 68) e 69, (inclusive no Maracanã em 69, em jogo amistoso contra a Seleção Carioca do Campeonato de 68 (1 x 1) diante de 130 mil torcedores, em Preliminar de FLU x VG), e voltou ao Cocotá, na Equipe Principal em 1970, quando entrou para a EEFD da UFRJ, encerrou sua carreira rumo ao profissional como jogador para investir na carreira de treinador, que já exercia amadoristicamente no seu Clube do Coração
No último ano do Científico estava numa turma se preparando para o vestibular de Engenharia, quando em julho, após um treino que assistia do Cocotá, conversava com alguns Amigos e o Prof. Ênio Farias, que dava a preparação física do time principal à noite, e ficava conversando com todos e fazendo sua refeição, pois morava fora da Ilha. Ênio perguntou a um e outro o que estudariam e, quando soube da resposta de Julinho de pronto replicou: Você tem nada de Engenheiro, Vc com 18 anos já treina as Categorias menores do Cocotá, Técnico das Categorias de Base, Escolinhas 08, 09, 10 anos, depois Infantil (Dente de Leite, que passava na Tupi, criação de Ivo Gorgulho. Equipe que mais tarde serviu de base para o Infanto Juvenil campeão carioca em 1973, sendo o Técnico nomeado o melhor da competição que contava com os clubes de grande investimento e renomados. Completou o Ênio: na Praia da Bandeira Você ensina Natação e faz a recreação das crianças. Vc tem que fazer Educação Física! Convencido imediatamente, não se achando em condições de ser Engenheiro, comunicou ao Pai (que não gostou), mas depois foi seu maior incentivador.
Assim Baduzinho passou a Julinho e depois a Julio Cesar Leal, Julio Leal. Conheceu grande parte do Mundo e fez Amigos em toda parte! Obrigado Pretinho, eterna gratidão ao Ênio e ao Presidente do Cocotá Seo Toninho de Almeida Santos.
Maktub! – estava escrito, se não estava, agora está!



AGACHADOS: ADEMIR, GINHO, MAURINHO, ZUCURRA, MUNDINHO, PAULINHO TIRIBIÇA, ERLY, JAIRO E SAPINHO. TIME CAMPEÃO DA “SÉRIE B” DO D.A. EM 69 E VICE DA “A “EM 70 ANO DOM MUNDIAL NO MÉXICO
By Jucele
Julio Leal
Treinador Campeão Mundial Sub 20 na Austrália em 1993
1o. de março de 2026
P.S. Um bimestre já foi para o saco! Aproveitemos a vida, divertindo-nos muito e se aborrecendo pouco! Quem ainda trabalha, aproveite porque os Robôs do Elon estão a chegar!