EXXXTÓRIAS DO BADUZINHO – ZÉ – JULINHO: Imperial Basquete Clube

Exxxtória 1: Verídica – Baduzinho no Imperial Basquete Clube

Possui DNA esportivo por parte do avô materno, Badu (português, açougueiro, jogador de futebol no Vasco, América e Bonsucesso, e Juiz de Futebol, bandeirou o primeiro jogo no Maracanã, hoje Mario Filho) e, por parte de Pai, Seo Julio, o 4º. do nome, jogador de Basquete no Fluminense em época áurea desse esporte, campeão mundial em 1959 (Algodão, Amauri, Rosa Branca, Wlamir) e goleiro no Exército, no Salão e no Campo, onde atuou inclusive na Seleção do Exército substituindo o grande Castilho quando esse não podia atuar.

Nascido em Itajubá, Minas Gerais, quando os pais residiam em Bicas do Meio, com um ano veio para o Rio, primeiro Vaz Lobo e com 2 para Madureira, Carolina Machado 516, a avenida do Bicho (Seo Natal) que lá morou muitos anos com a Família. Nil e Nezinho brincavam com todos.

‘ Vila com 23 casas, onze de um lado, doze do outro, sem saída, uma parede separava do prédio que dava para a Dagmar da Fonseca. Infância feliz, com toda sorte de brincadeiras (bola, pipa, piques, bola de gude, corda, pião e muitos outros da época que ajudavam na formação do caráter).

Duas calçadas estreitas, uma de cada lado, e uma rua de paralelepípedos que comiam os tampões dos dedões. Uma baliza marcada a tinta na parede do fundo. Todo mundo jogava, quase o dia inteiro, exceto os horários da escola.

Não tinha esse negócio de ruim ou bom, todos jogavam, inclusive no gol para não inviabilizar um jogo.

Lá pelos 10 anos o Lelé, um pouco mais velho e o melhor fazedor de Pipas (junto com o Mano Jairo), que morava em outra vila próxima (eram umas 3 ou 4 em seguida) – casinhas simples e gostosas – chamou Baduzinho para assistir a um torneio no Imperial, o Imperial Basquete Clube que mais tarde juntando-se com Tênis Clube e Atlético Clube formaram o atual Esporte Clube. Ele tinha ouvido falar do torneio e sabia que Badu gostava de jogar bola. Em lá chegando ficaram na pequena arquibancada, muitos jogadores uniformizados lá embaixo, vários times, competição próxima de iniciar. Um dos organizadores chamou o Lelé pelo nome, ele desceu e quando voltou perguntou ao Baduzinho se queria jogar, faltara o goleiro de um dos times, ele sabia que gostava de jogar e de agarrar. Aceito o convite, desceu uniformizou-se, jamais o fizera, camisa de goleiros grande e quente, nada de luvas, recebeu umas orientações das Regras do Futebol de Salão, mais tarde Futsal, e foi para o jogo.

Os colegas de time  sabendo que o goleirinho que parecia de botão e jamais jogara se esforçaram mais e não deixaram chutar… venceram a primeira, descanso, olho nos outros jogos, técnico e Lelé dando umas dicas, veio a segunda partida, um time melhor, algumas defesas, cumprimentos, passaram à terceira fase, o Imperial tinha tradição, junto com o Vila Isabel os melhoras daquela época, formando mais da metade da Seleção Carioca e da Brasileira (tempo do Gênio Serginho e Família no Vila) faziam em casa os jogadores. Afunilou e os bons começando a se destacar, alguns mais tarde chegariam à equipe principal e à Seleção, como Apinho (Silvio), filho do Seo Altamiro. E o goleirinho de totó lá, se atirando, corajosamente a salvar bolas difíceis, estilo nenhum…importante era não levar gol. Veio a decisão, os 2 melhores times no torneio, o time do Baduzinho já podia atacar sentindo confiança no jovem goleiro. Campeões. Comemoração, abraços, parabéns e agradecimentos. De repente se aproxima do Baduzinho o Seo Altamiro, o Técnico daquela Categoria no Clube, muito experiente e Amante do Futebol, que mais tarde ouvi, trabalhava numa Sapataria ou dela era proprietário, não lembro bem. Qual o seu nome? Perguntou. Julio, respondeu Baduzinho. Porque o chamam Baduzinho?

Respondeu porque o avô materno, que tinha um açougue em Madureira à época, perto da primeira vila, em frente da Ponte de Madureira, tinha o apelido de Badu quando jogou futebol. Seo Altamiro respondeu que todos conheciam o Badu e os Irmãos (Alberto, Artur e Tonico), e que o Goleiro do time principal também era Badu, sobrinho deles, Miguel. Seu Primo, então!

Começou a treinar de verdade, aprender a técnica, melhorar o estilo e, após os treinos ficava para assistir os treinamentos da Equipe Principal, onde jogava Miguel, que às vezes o chamava para treinar a parte técnica e tática também. Assistia aos jogos de todas as categorias e viu jogar uma geração incrível, um deles, Serginho do Vila, anos mais tarde quando escreveu um livro, incluiu em Gênios que Vi. Certa vez, em Madura, o Imperial ganhava de 3 x 0 e Serginho no banco, creio que gripado, no finalzinho entrou e mesmo doente fez chover virando para 4 a 3. Nunca esqueci dessa e de outras.

Um goleiro do Fla, sem luva, com aliança, ficou por ela pendurado num dos ganchos do travessão que segurava a rede. Coisas da posição, pensou, melhor não usar aliança, anel e outros.

Descobriram que jogava na linha também, não havia “goleiro linha” e as Regras restritivas. Bola de crina de cavalo, precisava ter coragem. Ele tinha.

Jogou amistosos e torneios pelo Imperial até que em 1963 a família mudou-se para a Ilha do Governador. Aí já é outra Exxxtória!

By Jucele

Julio Leal

Treinador Campeão do Mundo Sub 20 na Austrália em 1993

5 de fevereiro de 2026 (seria o Aniversário de 100 anos de Seo Julio Cesar Leal, meu Pai e Ídolo!

P.S. – Crédito da Foto da Capa à minha querida Amiga desde Sacra Família Cristina Rocha! Obrigado

P.S. 2 – Parabéns Seu Julio no seu centenário na Terra, um não morre enquanto outro dele se lembrar. Nessa Exxxtória Vc está lá! Vive!

P.S. 3 – Um abraço especial ao Lord Daniel Pomeroy, melhor Árbitro de Futebol de Salão, Membro do Grupo Lendas do Futsal (onde estão vários que fizeram História no Esporte, inclusive o Gênio Serginho, Apinho, Taxinha, Rico e muito outros, o esporte da bola pesada.

P.S. 4 – Aos 8 anos, antes do evento acima narrado Baduzinho criou com os colegas o Lusitano (de camisa grená, golas e beira das mangas verdes como a Seleção de Portugal). Mais tarde o uniforme virou branco com 3 listras pretas verticais, adquirido através de Vaquinha, quando não se conseguia mais colaboração, fomos ao Seo Natal, Pai do Nil, que mandou-nos escolher o uniforme na tradicional Superesporte de Madureira, perto da Estação. Como na foto!

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