VITOR: TEMOS UM “KAIZER”, DISSE NINGUÉM MENOS DO QUE MESTRE TELÊ!
Vitor Luís Pereira da Silva, Vitor, vem duma Cidade Fluminense, Governador Portela, do Distrito de Itaocara, Noroeste do Rio de Janeiro, próxima a Minas Gerais de tantos jogadores notáveis, inclusive o Rei. Nascido em 4 de novembro de 1959.
Vitor foi grande, jogou e ganhou em todos os maiores Clubes do Rio, em Clubes de outros Estados e na Seleção Brasileira. Campeão do Mundo em1981 com o Flamengo no Japão.
Sua chegada ao Flamengo tem diferentes, versões que nem sei se ele mesmo delas sabe, e pode desvendar aqui ou quando escrever seu Livro. Duas delas, que eu tenha ouvido falar quando lá trabalhei, no Futebol é assim, conta e aumenta um ponto! Uma pomba branca com uma pinta preta acaba uma pomba preta com a pinta branca!
Cheguei ao Flamengo em 1976, primeiro de janeiro, indicado pelos Amigos de Faculdade e Pioneiros de Ouro do Fundão, Jayme Valente e Sebastião Lazaroni, que foram promovidos de Categoria no Clube. “À época trabalhava no Fla, idos dos anos 70/80 dos anos 1900, quando Vitor chegou para a Categoria Juvenil, dirigida pelo Prof. Américo Faria. Só após vencer o Estadual de Infanto Juvenil em 1978, fomos promovidos com a Saída do Treinador Américo, e viemos a trabalhar juntos, conquistando o Bi Estadual de Juniores (que em 79 mudou de nome) em1979 e 1980.
Uma das versões dizia que o jovem jogador foi visto jogando em sua Cidade de Portela e convidado a jogar no Botafogo. Que já instalado no clube, mas não registrado, um emissário do Flamengo lá foi e o levou para o clube. Acho pouco provável que tenha sido assim! Mas falavam, gabavam-se.
O mais provável é o que se conta que aconteceu. O Fogão (bi de Juvenil/Junior em 76 e 77) teve informações do Vitor e o convidou para jogar lá. Um dirigente do Mengão, à época, muito atento, teve a mesma informação, soube ainda que o jovem jogador tinha passagem marcada para certo dia. Foi à Rodoviária com o Supervisor da Base e recepcionou o jogador levando-o para a Gávea, nenhum dirigente do Bota estava por lá.
Deve haver uma terceira e definitiva versão, diferente destas, a mais verdadeira, definitiva, a que o Vitor contar. Vai saber…
O certo é que desde os primeiros treinos Vitor demonstrou grandes qualidades físico-técnico-táticas e psicológicas, além da comportamental, encaixando perfeitamente na forma de jogar de um volante do Mengão à época (Merica, Carpegiane, Andrade, Brochado, de diferentes estilos), forte na marcação, proteção aos zagueiros, cobertura dos laterais, difícil de ser batido, passe bom e à frente, subidas para com seu potente chute, tanto de direita quanto de esquerda, finalizar, fazer gols.
Simples na vida, como pessoa, simples no futebol. Muitos dizem quanto mais simples, melhor!
Ganhou a posição na Categoria Junior, Sub 20, que era Juvenil até 1978, sendo parte de um time bicampeão carioca em 79 e 80, um pilar importante daquele time (Zé Carlos, Leandro, Figueiredo, Mozer, Antunes, Vitor, …, Niltinho, Oman, Ronaldo Sereno/Anselmo, Edson, que juntamente com o Profissional começava a construir a “Era Dourada”, com a cereja do bolo vindo em 1981 com o Título Mundial no Japão. Subiu ao Profissional.
Numa disputada posição em que o Flamengo tinha o experiente e excelente Carpegiane, muito técnico, único da posição que vi matar a bola “de chaleira”, aquela com a parte externa do pé, tornado Treinador com a saída do Coutinho em 1980. Tinha ainda o Andrade, 2 (dois) ou 3 (três) anos mais velho, muito técnico e habilidoso, postura elegante, cabeça sempre em pé, bons passes à frente e finalização (no último ano de Juvenil foi emprestado a um time da Venezuela e lá tornou-se artilheiro).
Quando Carpegiane parou de jogar Vitor assumiu a posição e cresceu, num time que começava a ganhar tudo, chegando à Seleção Nacional Principal, sob o comando do Grande Telê. Numa das primeiras convocações para excursão à Europa, Vitor foi titular e o Mestre Telê do “jogo bonito” voltou impressionado, pontuando em entrevista na chegada, no Aeroporto: “Temos um Kaizer”! Referia-se ao Jovem Vitor, devido às suas qualidades técnicas, físicas e mentais, com personalidade e liderança, semelhantes à do Capitão Alemão e Kaizer” Franz Beckenbauer.
Só que nesse tempo em que esteve na Seleção, em longa excursão, o time do Flamengo com Andrade, Adílio e Zico, reforçado no meio campo por Tita (2º. Camisa 10 na hierarquia) e Lico (o 3º. camisa10 do elenco) atuando nas pontas direita e esquerda, respectivamente, “encaixou” e, como dizia Alexandre Revoredo: quando encaixa, phodeo! Carpegiane era Técnico novo, mas experiente no Futebol. Tinha personalidade!
Vítor ao retornar da Seleção foi para a reserva, sendo mantido o Andrade. Um “Kaizer” no banco! Devido à sua boa formação, caráter, humildade e características próprias, aceitou sem conturbar o ambiente, poderia reclamar (tantos o fazem) pois saíra para a Seleção como titular absoluto, se houve muito bem lá e voltou em forma, melhor e mais maduro. Manteve a calma e o trabalho duro, estando sempre disponível e trabalhando para o grupo, para o Clube, assim muito ajudou nas conquistas, inclusive a maior de todas na História do Clube de Regatas do Flamengo, batendo o Liverpool em 1981, no Japão. Único Mundial até os dias de hoje.
Depois foi emprestar sua qualidade, liderança e sangue de campeão aos demais Clubes cariocas, sendo neles campeão, a seguir a outros Clubes
Até hoje querido por todos, festejado e idolatrado quando com seu sorriso e simpatia, sua costumeira simplicidade chega aos Eventos, inclusive os do “GRUPO FLA AMIGOS” daquela época. Sangue de Campeão!
Vida longa ao Kaiser!
Você tem meu respeito e admiração!
P.S. – Assim que me lembro da Estória, sem intenção de a qualquer ofender, ferir ou magoar. Nesse caso, peço desculpas antecipadamente.
P.S. 2 – Dia desses um ex-jogador nosso me relatou em conversa sobre o Leandro, que ele próprio, Leandro e Vitor participaram de uma sessão de treino do Juvenil do Fla, sob Américo, Jairo, Seo Bria e Walter Miraglia, que teriam sido pré-aprovados em processo de seleção e contra a equipe titular arrebentaram no 24º. BIB. Contou-me com riqueza de detalhes o Hamilton Soares, Hamiltão, ex-jogador e Treinador. Gente muito boa! Seria mais uma versão.
P.S. – 3 – A VERSÃO DO PRÓPRIO VITOR NO GRUPO FLA AMIGOS ONDE POSTEI ESSA ESTÓRIA:
Cheguei no finalzinho de 76, início de 77, né, e realmente o fato que aconteceu foi esse aí, treinamos no 24º. BIB ali na entrada da Ilha, chegamos eu e Leandro juntos realmente e o Professor Américo nos selecionou. Mas eu tinha vindo de uma passagem no Botafogo, onde o Repórter Loureiro Neto me levou para o Botafogo. Aí o Doutor Régis, Conselheiro do Flamengo me tirou do Botafogo e me levou lá onde eu fiz esse “Teste” lá no BIB com o Prof. Américo Farias. Vai sair até um Livro do Leandro agora, onde ele conta que começamos juntos.
Olá, Professor Julio, muito obrigado pelo carinho, pelas palavras escritas, eu acho que não sou merecedor da metade disso, mas me sinto orgulhoso e feliz de ter essa admiração do senhor, pessoa que tanto admiro e respeito. Muito obrigado, mesmo! Obrigado Waltinho, Vilmário, a todos vocês (GRUPO FLA AMIGOS). Isso aí não tem preço! Eu chego a me emocionar com o carinho de todos vocês!
Professor Julio, obrigado mais uma vez mesmo, eu moro em Portela, sim, mas a minha Cidade aqui é Miguel Pereira, Portela pertence a Miguel Pereira.
