“O ENCICLOPÉDIA”: Nilton Santos

“O ENCICLOPÉDIA”

Na Literatura encontrei A Enciclopédia, portanto Nilton Santos criou um Neologismo porquanto chamado “O Enciclopédia”, quiçá “O Enciclopédio” e merece, pois, no Futebol e até fora dele reunia considerável soma de conhecimentos, um jogador de notável saber, um dicionário futebolístico ambulante.

Duas passagens ou três, confirmam a obra:

1 – Copa do Mundo no Chile, em 1962, atacante parte para cima do Nilton já dentro da área, Nilton Santos faz a falta e ao ouvir o apito dá um passo imperceptível saindo da grande área, braços levantados com a dizer nada fiz, estava aqui, o Árbitro vai até lá e acha que foi fora mesmo marca apenas falta (ainda bem que não havia esse monstro chamado V.A.R que deveria ser só para bola entrou ou não).

2 – Jogo no Maracanã, laterais não apoiavam, Nilton pega a bola e avança, o Técnico da Boca do Túnel grita: volta Nilton! Nilton Santos continua, o Comandante berra volta Nilton!! Nilton segue célere em direção à área adversária, o Treinador desesperado urra volta Nilton Santos!!! Ele entra na área se desvencilhando dos adversários e faz o gol. Num muxoxo o Chefe murmura: boa Nilton!

3 – Treino Coletivo no Botafogo, em General Severiano, titulares contra reservas, já no final do treino o Técnico chama um jovem que com as chuteiras velhas debaixo do braço, pernas tortas, pedira uma oportunidade (já estivera em outros clubes que negaram, disse – viera de longe, era de Pau Grande). Manda entrar em campo, era Ponta-Direita, a marcá-lo o Lateral Esquerdo da Seleção Nilton Santos. Resumo da História: ao final do treino, bufando Nilton se dirige ao Treinador e fala: acho melhor assinar esse cara aí porque se for para outro clube e jogar contra mim não conseguirei marcar, ninguém conseguirá. Estava certo, era o Mané, Garrincha, por ser de área rural e gostar de pássaros a irmã o apelidou de Garrincha, um pássaro local, Mané Garrincha que driblou muitos Joões pelo Mundo.

Nilton Santos no FlexeIras da Ilha – 1939

Nilton Santos no Botafogo – 1956

NILTON SANTOS AJOELHADO E EVARISTO COM A BOLA: CORTESIA MUIS MACEDO (PEPE) FILHO DO EVARISTO E DO EVARISTO. QUE AN=MBIENTE VENCEDOR!
EVARISTO, NILTON SANTOS E DIDI SENTADOS APÓS JOGO COM PERU. CORTESIA PEPE E EVARISTO MACEDO!

A palavra “enciclopédia” tem uma origem etimológica interessante. Ela provém do Grego Clássico ἐγκύκλιος παιδεία (transliterado como “enkyklios paideia”), que significa literalmente “educação circular” ou, de forma mais ampla. Talvez daí a explicação para sua formação, morava na Ilha, no Bairro de Flexeiras, de poucos habitantes à época, todos se conheciam, no futebol todos jogavam contra todos, acumulando habilidades naturais desde a Infância.

Tinha um Irmão Gêmeo, Nilson Santos, idêntico, também Lateral Esquerdo, alguns diziam (como é comum para Irmãos que jogam futebol um sendo mais famoso) que jogava mais do que o Nilton… era muito bom, jogava de forma semelhante, mas um foi bicampeão mundial, o Nilson jogou num ótimo time do Cocotá e me lembro muito bem: chegava uma hora antes de todos e começava a amarrar as ataduras, entre uns giros e outros, sentava…, descansava, mas em campo era ativo e bom, seguro na defesa e efetivo no ataque.

Em 71 e 72, no intervalo entre as aulas, nós que da Turma de Pioneiros do Fundão da Educação Física gostávamos de Futebol íamos até Gen. Severiano, ali pertinho assistir aos Treinos, que timaço tinha o Botafogo de F.R. quase metade das Seleções Brasileiras, e a C.T. com quem muito aprendíamos. A classe do Nilton Santos se destacava, técnico, alto para a Lateral Esquerda, sóbrio e inteligente.

Alguns anos depois, via-o jogar na Pelada Veteranos do Zumbi, do Amigo Carlinhos Zarur, que completou 75 anos em 2024, recorde do Guiness Book. Dizem que a pelada estava a ser jogada e ele que parara de jogar, percorria a Ilha de bicicleta. Parou, assistiu, gostou do nível técnico e do ambiente e pediu para jogar! Nunca mais saiu, foi homenageado brilhantemente na Festa dos 75 anos no Iate Clube Jardim Guanabara.

Em meados dos anos 70, a famosa e longeva Pelada VZ (Veteranos do Zumbi) que peregrinou por toda a Ilha, usava as dependências e o campo do Esporte Clube Cocotá, aos Sábados pela manhã a bola corria redonda e macia de pé em pé até o fundo das redes. Celinha, a esposa querida do Nilton Santos, estava sempre presente para apreciar e acompanhá-lo, sorridente, feliz.    Eventualmente, estando eu livre naqueles dias e horários, ia também, pois era alto o nível, alguns ex-profissionais, outros que profissionais não foram porque não quiseram ser ou algo aconteceu, e também meu Colega de Turma de Educação Física e antigo morador da última casa do Bananal, na Praia, Espezim, Manoel Espezim Neto, Jornalista, Juiz de Futebol, Professor, Dr., Treinador e muito mais, razoável Lateral Direito. Sentava próximo à Amada do Nilton e proseávamos. Simpática e atenciosa, sabia do riscado. Eu a conhecia e conhecia um pouco o Nilton Santos, pois meu Diretor e Técnico no Cocotá, vascaíno dos maiores que vi, disciplinador a quem devo muito, era Sócio do Nilton Santos numa Loja de Material Esportivo na Rua Voluntários da Pátria onde eu sempre ia comprar material, ou visitá-los. Certa vez, Seo Joca encomendou ao Nilton, que foi à Suíça para jogo em homenagem ao Pelé, um par de luvas para mim, pois as nacionais eram grandes e minhas mãos pequenas, as luvas pareciam tábuas de amassar carne. Trouxe um Par de Luvas na medida certa, branca, de pelica, com aquelas borrachas vermelhas iguais às raquetes de pingue-pongue, quando estão passei a usar aquele equipamento. Tenho-as até hoje! Obrigado, Suíça, Pelé, Nilton Santos e Seo Joca da Ribeira.

Muitos anos depois, em 2024, através do Amigo e grande Treinador João Carlos Silva Costa (Joca) recebi convite do amável Carinhos Zarur (que me incentivou a escrever essa humilde Ode ao Nilton, enviando fotos diversas dele) para a festa de 75 anos do VZ. Jogam outra vez no Cocotá, mas a festa grandiosa com pelada e Churrasco Do Serginho no I. C. Jardim Guanabara, dos Irmãos Moraes. Aceitei, honrado o Convite (feito também ao Mestre Lazaroni, ao Mestre Américo Faria, Dr. Runco e outras Personalidades), mas declinei de jogar (sabia ser alto o nível e havia 10 anos que não jogava uma pelada – sempre machucava ou ficava exausto). Joca, me conhecendo, recomendou que levasse o material, se faltasse um, sabia que eu entraria, obediente, levei. Pensei: vou chegar com a pelada já em andamento, lá pelo segundo tempo. A Ilha parecia a boca de um vulcão, campo novo, artificial, ótimo nível. E não vi a primeira pedala, eu a conversar com Bolão, Cesar, Joca, os Moraes e alguns que haviam jogado. Já no finalzinho o Carlinhos Zarur (depois fiquei sabendo que em campeonato carioca Infanto Juvenil marcou um gol em mim, que jogava no Olaria – ah se eu soubesse antes… brincadeira, fiquei feliz como o Andrada ao conceder o milésimo gol do Pelé) chega perto e fala: Julinho, não tem mais ninguém para entrar, 4 estão cansados, um passando mal, já está saindo e ainda faltam 10 minutos. Corri ao vestiário, calcei as chuteiras Society velhas sem meia, nem tirei a sunga e a fralda, coloquei o calção, esperei no portão perto do meio de campo, Carlinhos deu a suada camisa e falou: pode entrar, o que passava mal já saiu… entrei, vi meu time se defendendo roubar a bola, ser lançada longo pelo habilidoso Carlos Fernando, filho de um dos maiores peladeiros da Ilha, Carlos Alberto, dei sorte, dominei e gol. Orgulho haver jogado e marcando um gol relâmpago na Pelada Mais Longeva do Mundo, onde jogou “O Enciclopédia” Ou Enciclopédio, Gerson, Sabará e muitos outros craques.

Nome completoNilton dos Santos Apelido: Nilton Santos
Data de nascimento16 de maio de 1925
Local de nascimentoRio de Janeiro (DF), Brasil
Nacionalidadebrasileiro
Data da morte27 de novembro de 2013 (88 anos)
Local da morteRio de Janeiro (RJ), Brasil

Algumas enciclopédias famosas

Grande ENCICLOPÉDIA Portuguesa e Brasileira (1935-1960)

Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura (1963-1995)

Enciclopédia Verbo Edição Século XXI

Enciclopédia Barsa

Enciclopédia Caldas Aulete

Enciclopédia Delta-Larousse

Grande ENCICLOPÉDIA Larousse Cultural

Encyclopaedia Britannica (1768-1771)

Enciclopédia Mirador (1979)

Linha do Tempo – Origem e Evolução

By Jucele

Julio Leal

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