Agôsto de 1981.
Sonho colorido.
Meu velório.
Sonhei que estava morta;
Muito bem esticadinha,
Dentro de um belo caixão.
Numa capela qualquer
De um cemitério qualquer!
Aí, então percebi,
Que com a pressa de me vestirem,
Haviam esquecido, imaginem!
As minhas roupas mais íntimas.
E agora?
O que dirão de mim?
Com certeza vão pensar,
que eu fazia parte,
aqui na Terra
da patota de Ipanema;
Admirando e usando,
O famoso “top-less”.
Vou-me embora mesmo assim!
Não tem outro jeito não!
Toda coberta de flores!
Enfeitada da cabeça aos pés!
Só o rosto de fora,
como feia eu fiquei!
Tentei justificar:
-falta nele o sorriso,
que na vida sempre foi,
a sua arma secreta!
A capela estava cheia.
Além dos familiares,
gente de todas as partes,
amigos, amigas, gente boa!
Do Edifício Pajé, vieram todos!
Até a Luzia também!
Eles gostavam de mim e
eu, muito e muito de todos!
O que mais impressionava,
era a figura séria e triste,
do viúvo aqui deixado!
Diziam as curiosas:
Ele está muito conservado!
Muito bonito mesmo!
Com certeza casa logo,
assim que tirar o luto!
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E o dito viúvo, coitado!
Só fazia pensar…
Pensava e me dizia baixinho:
-“Aí está o resultado,
da sua consulta à Dra. Fátima”!
Acreditou nos teus versos,
até tua veia poética ela
achou ser mesmo um dom!
Remédios não receitou,
Apenas te aconselhou:
-“Só escreva uma vez por dia! ”
Não seguiste os seus conselhos,
passaste a fazer os versos,
dia e noite sem parar!
E assim acabaste estourando,
que nem uma bomba-relógio!
E eu sempre te dizia,
“-mania de fazer versos,
depois de passados os sessenta,
é artério esclerose no duro
e, daquelas mais violentas”!
Não chore amiga Ceci.
Venha dizer um versinho,
bem aqui no meu ouvido!
Não sabes nenhum de cor?
Pega a Lourdes do General;
Logo, logo, ela faz um,
e com jeitinho especial!
Maria, irmã da Alda,
reza alto as tuas preces!
Achei tão lindo o Pai-Nosso
e as outras orações,
que rezaste com emoção e fervor
no enterro da Aldinha.
Estava quase acordando,
quando pude perceber,
minha chegada ao céu.
São Pedro prestimoso e gentil,
recebeu-me alegremente!
“-Venha fazer seus versinhos
para os velhinhos do céu!
Ligeira lhe respondi:
“Tás-brin-can-do”!
De velhice eu ando cheia,
vim foi para brincar e correr
com os seus anjinhos do céu!
Acordei feliz, acreditem!
Achei esse sonho um barato!
E, se este sonho sonhado
quis realmente mostrar,
como será meu velório,
que beleza, parto feliz, felicíssima!
Jenny Spinola Motta
By Jucele
Julio Leal
2020
Conforme escrito na Ortografia da época!
Mensagem 29, páginas 33 e 34
Sensacional, minha mãe!!!!! Júlio, meu amor, vc deve estar pensando que deixei passar a oportunidade de ler esta jóia de poema no velório de mamãe. Você tem razão!!!! A oportunidade passou, porque eu, a filha dessa mãe tão engraçada e irônica, tenho o defeito de ser tão séria. No final do velório, li uma palavras, até bonitas, que eu havia escrito, mas…era uma mensagem triste.
“Não honrei sua picardia, minha supersaudosa mãe Jenny! Perdão!!!! Ainda bem que existe o seu sobrinho neto amado, Júlio César, Zé para os muitos íntimos! Agora seu Sonho Colorido foi publicado! Graças a Deus, que iluminou o coração do nosso Zéjúlio!”
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Mas Vc não esqueceu da música que Ela queria que tocasse, e foi feito o seu desejo! Desta vez com calcinha…kkk Ela me surpreende a cada dia! Mamãe e eu sempre fomos fás dela, agora ainda consegui aumentar minha admiração! Um Super Ser do nosso tempo!. Beijos
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Excelente. Incrível. Valeu.
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Nunca imaginei isso! Viu-se sem calcinha, zero less!
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