Outubro de 1981.
Jenny Spinola Motta
Velhice sadia!
À minha vizinha e amiga,
Josephina Carvalho Machado,
a quem muito admiro!
Permita-me chama-la por você; permita-me contar para todo
mundo a razão dessa minha sincera admiração!
Vou contar para você quem é essa minha vizinha:
Proprietária e moradora do apartamento 401
No edifício em que moramos na Rua General Roca.
Seu nome: Josephina Carvalho Machado.
Nascimento: 19 de fevereiro de 1899.
Prestaram atenção?
Completará no próximo ano, se Deus quiser,
Oitenta e três anos de idade!
Que beleza! Quanta felicidade!
Com bravura e muita coragem
enfrenta sem solidão, sem cobranças,
essa sua bendita idade!
Enfermeira por profissão, competente e dedicada!
Espalhou amor, procurou e só procurou
amenizar com ternura e devoção
os sofrimentos alheios!
Pensam que depois de aposentada,
na vida ficou parada? Puro engano.
Aí é que passou a trabalhar mais e mais,
dia e noite sem parar!
Espontaneamente assumiu a incumbência maior
de fazer muita caridade; olhar principalmente
pelas velhinhas cegas e proteger igualmente
as velhinhas cancerosas!
Que beleza! Quanto desprendimento!
Benditas sejam portanto essas suas mãos amigas!
Habilidosas, maravilhosas!
Que transformam o pano em roupa!
Que transformam a lá e a linha em agasalhos quentinhos!
Que procuram alegrar quem nesta vida já perdeu a esperança
e não sabe mais sorrir!
Beijo essas mãos com respeito e emoção!
Não deseja dar trabalho à sua única filha
e nem aso seus queridos netos!
Mora sozinha! Cuida da casa e como!
Dá gosto visita-la! Tudo arrumado,
cada coisa em seu lugar!
Prestaram atenção?
São oitenta e dois anos de idade,
não são oitenta e dois dias!
Belo exemplo!
Deus que é bom e generoso
certamente protegerá
essa senhora Josephina
de maneira especial,
dando-lhe vida e saúde,
conservando-a por muitos anos!
Quem sabe até aos cem anos?
Lúcida, sem escleroses, alegre e feliz
por bem cumprir sua missão nessa terra!
Louvada seja portanto quem tanto amor tem para dar!
Deus a conserve entre nós!
Assim seja!
Jenny

Jenny Spinola Motta
“Mensagens de uma Vó Poeta”
Dezembro – 1981
By Jucele
Julio Leal
2020
Conforme escrito na Ortografia da época!
Mensagem 17, página 21
Inspirador. Muito bom. Gostei muito. Valeu.
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Boas lições que Tia Jenny aprendeu com a Amiga de 83 (vou perguntar à Marília com quantos a velhinha morreu… uns 200 pelo jeito)! Bj
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PRIMO QUERIDO, ESTA VIZINHA DE MAMÃE, QUE INFELIZMENTE NÃO CHEGUEI A CONHECER, MORREU ANTES DOS 90, CREIO. MAMÃE ME CONTOU QUE LHE AVISARAM DA MORTE IMEDIATAMENTE, E QUE ELA CORREU ATÉ O APÊ DE D. JOSEFINA, PARA ARRUMÁ-LA, ANTES QUE CHEGASSE O PESSOAL DA SANTA CASA. DONA JOSEFINA VIVEU PLENAMENTE SUA VIDA, ATÉ O FIM, TAL COMO DIZ O ESCRITO DE MAMÃE. UM EXEMPLO EDIFICANTE PARA TODOS, EM QUALQUER ÉPOCA. BEIJOS!!!!
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Pena que não chegou aos cem! Tia Jenny chegou, ainda que incompletos! Valeu-se das lições d Josephina e não morava só, mas muito bem acompanhada que cuidava dela direitinho até o fim! Parabéns pela Mom que teve! Beijos
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Nossa primo que lindo saber um pouco mais das histórias de vida dessa tia que eu sempre tive muita admiração. Isso que a Marília escreve sobre ela só faz aumentar minha admiração. Sou muito Feliz por ter recordações tão carinhosas da minha infância passadas com ela na Tijuca.
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Ela própria, tia Jenny as escreveu! E publicou um livro que achei na casa da mamãe recentemente. Só pedia à Marília a autorização para colocá-las no meu humilde Site. Marília também escreve muito bem, tem escritos e, já perguntei se quer que os divulgue aqui. Lições de vida, de Geografia e História… Beijos e bom Feriadão!
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