CURSO “NIKE” POR JAIRO LEAL
TÉCNICA: É a execução dos elementos fundamentais do jogo. É a execução do chute, passe, drible, finta, cabeçada; é a proteção de bola, a perfeita execução dos tiros livres; enfim todas as habilidades de que o praticante necessita para jogar futebol.
O constante contato com a bola, a permanente repetição, até chegar ao automatismo, proporcionarão a perfeita execução dos elementos fundamentais do jogo.
ESTILO: É característico de cada indivíduo, é o jeito pessoal, é a individualidade que cada um apresenta em idênticos movimentos. É ele quem determina as características do jogador.
A Técnica é ideal, genérico e impessoal. O Estilo é real, particular e pessoal; a Técnica é adaptável e todos podem assimilar, necessitando para isso, observação cuidadosa no aprendizado ou na correção.
O primeiro presente do brasileiro é uma bola. Na mais tenra idade, começa o gosto pelo futebol.
Todo terreno baldio, as praças, as ruas, os pátios, os corredores, as quadras e calçadas servem de celeiro para a iniciação do nosso esporte. Não é preciso muita coisa para praticar. Bastam 4 tijolos, ou 4 camisetas, ou 4 sapatos, ou qualquer objeto que forme o gol. A bola pode ser moderna, passando pela bola de meia, chegando as bolas de papel e chapinhas de garrafas. O jovem quer movimento; liberar energias é uma necessidade; e o gol uma tentação irresistível.
Os brasileiros praticam o futebol o ano todo, um clima que o ajuda. Ainda há inúmeros locais e terrenos próprios ao campinho de futebol. Com um baixo poder aquisitivo, aos nossos jovens resta mesmo é praticar o futebol. Temos ainda a propaganda, o esporte mais popular do nosso país, e finalmente o incentivo dos altos salários e fama.
A habilidade do jogador brasileiro é fabulosa, devido àquela prática constante, desde menino e, só com isso já consegue ser um bom jogador, mas com raras exceções, é sempre um jogador puramente instintivo, com técnica deficiente. Seu rendimento no campo é mais vistoso do que prático; faz tudo o que não é preciso e nem sempre é capaz de fazer o que deve ser feito. Sua aprendizagem, sem maior orientação, faz com que tanto adquira qualidades como defeitos, que perduram por toda a vida.
Quanto mais novo o atleta, melhor para aprender e mais fácil para corrigir.
Os técnicos mais destacados deveriam trabalhar com os jogadores em formação, mas o que vemos é exatamente o contrário.
Os clubes devem dar mais assistência às divisões de base e ter todo o cuidado na qualidade e quantidade dos profissionais que vão trabalhar com adolescentes, jovens em formação que estão atravessando uma etapa difícil da vida.
O treinamento técnico visa a desenvolver a habilidade do jogador, as suas virtudes pessoais, proporcionando-lhe uma adaptação aos elementos fundamentais do jogo, para que tenha o máximo de rendimento, com o mínimo de esforço.
A aceitação do treinamento com bola, por parte dos jogadores brasileiros, é muito melhor que a dos treinamentos individuais (físicos).
Se o nosso craque não tem nada a aprender, tem muito a corrigir. Jogadores consagrados, porém, de técnica falha, quando se deparam com outros de técnica superior, seus defeitos são logo notados.
Melhorar o que tem de virtuoso e corrigir o que tem de deficiente. É preciso que ele saia do estado puramente instintivo para poder render em função do individualismo e do conjunto (dependendo da situação), usando corretamente todas as qualidades de que é portador.
O treino técnico fundamental será sempre necessário, principalmente nas equipes de jogadores em formação. Os diversos tipos de chute; o pé de apoio, o pé de impacto, o domínio de bola com várias partes do corpo, o passe, a cabeçada, o drible. O treino técnico moderno, tem por finalidade, capacitar o indivíduo ao uso de todos os recursos técnicos em situação de jogo. A que use nos fundamentos a oposição (adversário) para que evolua a sua técnica, realizando os movimentos com maior rapidez. Somente assim haverá um relacionamento entre tempo e espaço. Se os espaços estão diminuindo, os jogadores têm que realizar a sua função no menor tempo possível, para que possam acompanhar a evolução do futebol.
Partindo do fraco para o forte, do simples para o complexo, e do menos atraente para o de maior aceitação, teremos sempre, grandes possibilidades de sucesso no desenvolvimento do trabalho.
As formas de exercícios técnicos são inesgotáveis. O técnico pode valer-se das variações (fazendo com que pareça um novo exercício e dentro do mesmo objetivo). Os jogadores estarão sempre motivados. As variantes, o número de repetições, as distâncias, ficam por conta de quem dirige o treinamento. Somente ele conhece o grupo que está treinando, aquilo de que mais necessita, o grau de desenvolvimento e o interesse dos atletas. Não podemos resolver tudo hoje; haverá sempre que deixar algo para amanhã. Não devemos chegar nunca ao esgotamento para, só então, mudarmos o exercício. É melhor interromper o treino que continuá-lo sem condições propícias ao seu desenvolvimento. Quando o jogador executa o exercício obrigado, este não traz nenhuma vantagem, é necessário que ele compreenda a necessidade do treinamento e que passe a colaborar naquilo que dele solicitamos.
O atleta nasce com vocação para jogar futebol, mas se não exercitar e desenvolver seus predicados, será sempre uma promessa. Com vocação nascem o pintor, o cantor, o pianista, etc. caso não se exercitem convenientemente, serão sempre vocações. Quantos jogadores não desenvolvem sua arte por falta de oportunidade, de treinamento especializado, ou de orientação por parte de quem os dirigia. O futebolista, além de trazer a vocação e ser portador de qualidades inatas (chute forte, velocidade, impulsão, visão espacial, inteligência, etc.), deverá aperfeiçoar tudo através do treinamento. Quem não queria ter uma equipe, em que todos jogadores fossem inteligentes, velocistas, de grande impulsão, habilidosos, bons cabeceadores, de boa visão espacial e chutando forte com os dois pés? Com raríssimas exceções observamos todas essas qualidades em um só indivíduo. Cabe aos treinadores melhorar o que o atleta já revela de positivo e corrigir suas deficiências. Temos que tomar cuidado com as tais diferenças individuais. A mesma forma de educar não serve para todos. A rotina é inimiga do trabalho. Temos que variar, criar novas formas de treinamento para manter sempre motivado o jogador de futebol.
Podemos aprender a jogar futebol? Respondemos que sim, porque tudo na vida é aprendizagem. Ninguém nasce sabendo. Vamos, no transcorrer de nossa vida, reconstruindo e reorganizando nossas experiências. Todos podem aprender a jogar futebol, assim como todos podem aprender a nadar, jogar basquete, voleibol, etc., porém nem todos serão bons jogadores, expoentes, craques, porque vários fatores devem concorrer e influir para isso. Nesses casos influirão: condição intrínseca, meio adequado para a sua evolução, iniciação (quanto mais cedo melhor), pessoal preparado para orientar o desenvolvimento do atleta, condições de saúde, etc.
Como sempre temos algo a aprender, qualquer jogador pode melhorar suas qualidades. O poder de criatividade e aperfeiçoamento do ser humano é ilimitado, e o progresso também não para; um decorre do outro. O que era bom ontem, pode estar superado hoje. Cabe aos técnicos usar todos os meios possíveis e legais para exigir do nosso atleta o máximo, melhorá-lo em todos os aspectos. Somente assim poderá acompanhar e, se possível ultrapassar a evolução do nosso desporto. E isso só acontecerá com muito trabalho. Trabalho dosado, consciente, planejado com tranquilidade e segurança. Teremos então um jogador mais jogador, um craque mais craque e o homem mais homem
O mais importante – imprescindível mesmo: que ele próprio, jogador, se conscientize; na certeza de que todo esse preparo técnico compõe apenas um aspecto setorizante. De pouco adiantará se, no todo, ele, jogador, se mantém indiferente ao futuro que o aguarda e se preocupa apenas com a curtição (efêmera) de uma profissão. Profissão que ainda não encontrou o beneplácito de uma visão sociológica que a ampare.
PROF. JAIRO LOPES CESAR LEAL
BIBLIOGRAFIA:
O FUTEBOL E SEUS FUNDAMENTOS – Prof. Sebastião Araújo.
APOSTILAS CURSO DE FUTEBOL DA UFRJ.
APOSTILAS DA ACADEMIA BRASILEIRA DE FUTEBOL
CONHECIMENTOS ADQUIRIDOS – Jairo Leal

Excelente!
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Excelente, mesmo! Bjs
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