CAPÍTULO VII – PROGRAMA GERAL DE FUTEBOL – DO OFÍCIO – LIVRO FUTEBOL ARTE E OFÍCIO

CAPÍTULO VII

PROGRAMA GERAL DE FUTEBOL

    Programa Geral de Futebol é o planejamento que o Treinador e sua Comissão Técnica elaboram, estabelecendo todos os objetivos e metas a alcançar no decorrer do trabalho, numa temporada ou competição.

    No Programa, o Treinador define, de forma bem simples e clara, objetivos gerais e especiais, bem como define a composição de sua Comissão Técnica, o cronograma, o organograma e o fluxograma do trabalho.

    Abaixo, segue um exemplo de Programa de Futebol, que deve ser elaborado e entregue à Direção do Clube, antes de iniciar-se o trabalho .

EXEMPLO DE PROGRAMA DE FUTEBOL, PARA EQUIPE ADULTA, PROFISSIONAL

JUCELE F. C.

O Programa destina-se a estabelecer objetivos e metas a alcançar, a partir de 01 de janeiro de 1999, até 31 de dezembro de 1999, principalmente voltado para a preparação e disputa dos Campeonatos, Torneios e Copas, Estaduais, Regionais, Nacionais e Internacionais.

    Este Programa considera:

a)  A avaliação dos resultados dos Programas dos anos anteriores, se os objetivos foram alcançados ou não, dos acertos e dos erros (para que não sejam repetidos), resultados de Testes e Verificações, resultados gerais e conquistas;

b)  A avaliação do grupo de Atletas (elenco) que se pretende utilizar na temporada, incluídos os que permanecem e os a contratar. Estes devem ser avaliados por seu currículo, experiência, conquistas e recomendações, examinados sob o ponto-de-vista médico (clínica e laboratorialmente) e testados técnica e fisicamente.

    Somente os de alta qualidade e de valor devem fazer parte do elenco. Entende-se que, num grande clube, aqueles de grande investimento, o time deve ser composto por Atletas de nível de Seleção e, nesta, de fato, os mais qualificados do País e, em alguns casos, do exterior.

    A força de uma corrente é a do seu elo mais fraco, a de um time, a do seu pior jogador, tecnicamente;

c) As competições que o Clube disputará (número e ordem de importância, para definição da estratégia geral) e o número aproximado de jogos (para adequação da preparação, pois, quanto maior o número de partidas e mais elevada a qualidade dos adversários, tanto mais própria a preparação, como quando se constrói, por exemplo, num prédio de 100 (cem) andares, há toda uma especificidade, diferente da construção de um prédio de apenas dois pavimentos.)

ESTRATÉGIA DE CONTRATAÇÃO – PRIORIDADES

1.- OBJETIVOS GERAIS

    Formar um elenco homogêneo e de alta qualidade técnica e moral capaz de praticar um Futebol moderno, eficiente, competitivo, e bonito, além de representar dignamente o JUCELE FUTEBOL CLUBE no Campeonato (Torneio, ou Copa), Estadual (Regional, Nacional ou Internacional) e nos jogos amistosos a realizar.

    É objetivo permanente, obter a mais honrosa classificação, possível, visando, principalmente à maior de todas, a de Campeão.

    Sabendo quão difícil a tarefa, certamente se estará mais perto de conseguir êxito se todos souberem por que lutar, cientes dos objetivos e metas e os meios a utilizar.

2.- OBJETIVOS EDUCACIONAIS

    Desenvolver uma conduta pessoal adequada ao trabalho, conhecimento dos Direitos, dos Deveres, das Responsabilidades, senso de autodisciplina, autocrítica, autoconfiança, ética da cidadania, dignidade, assiduidade, pontualidade e outros.

    Conduta geral própria dos vitoriosos nos esportes coletivos, como a criação de um ambiente profissional, mas fraterno e familiar, de confiança, de amizade, de cooperação, de liberdade com responsabilidade, de união, de justiça, igualdade e disciplina.

    Estímulo à continuidade nos estudos até o nível universitário, aperfeiçoamento na profissão, pela matrícula em Cursos de Línguas Estrangeiras (principalmente Inglês, Espanhol, Italiano, Francês e Japonês), Cursos de Liderança, além de palestras sobre convivência com a popularidade, com a arbitragem (relação Árbitro/Atleta de Futebol e Leis do Jogo), DOM (Dinâmica de Orientação Mental), NEUROLINGÜÍSTICA e formas de aplicação financeira e investimentos (pois a carreira de jogador de Futebol é curta, como sempre dizia o Reverendo Padre José Maria em suas pregações aos Atletas em São José do Rio Preto – São Paulo).

3.- OBJETIVOS TÉCNICOS

3.1- PREPARAÇÃO FÍSICA

Objetiva desenvolver ao máximo as qualidades físicas gerais do jogador de Futebol: velocidade (de reação dos membros e a de deslocamento), força (explosiva, dinâmica e isométrica), resistência (aeróbia, anaeróbia láctica e aláctica e muscular localizada), agilidade, coordenação, flexibilidade (mobilidade articular), equilíbrio (estático e recuperado) e ritmo.

    Além do desenvolvimento geral de todas aquelas, com maior ênfase as especiais para a prática do Futebol: velocidade, resistência, força, agilidade e coordenação.

    Alcançados esses objetivos, os Atletas estarão capacitados, sob os pontos de vista orgânico e neuro-muscular para uma adequada preparação técnico-tática e geral destinada a atingir o ÁPICE (“PEAK”) da forma no momento certo da competição ou temporada, de acordo com a estratégia estabelecida.

3.2- PREPARAÇÃO TÉCNICA

    Objetiva melhorar, ao máximo, a técnica dos jogadores pelo aperfeiçoamento dos Fundamentos de Técnica (passe, recepção, domínio, controle, condução, finta, drible, chute, finalização, cruzamento, levantada de bola, cabeceio e desarme).

    Visa, também, a desenvolver tais fundamentos nas situações de bola parada (tiro-inicial, tiro-de-meta, arremesso lateral, córner, falta direta e indireta, pênalti e bola ao chão). No Futebol Moderno, mais do que antigamente, muitos jogos são decididos dessa forma.

    Serve como fator coadjuvante na melhoria da condição física específica e deve acompanhar em duração e intensidade (relação volume/intensidade) as características gerais de cada Fase da Preparação, a saber: básica, específica, polimento, manutenção e transitória, adequando também simplicidade ou complexidade.

    De nada adianta uma condição física soberba, nem elucubrações táticas mirabolantes, se a habilidade e a técnica não estiverem em nível compatível.

3.3- PREPARAÇÃO TÁTICA

    Objetiva dar aos jogadores pleno conhecimento das ações combinadas entre 2 (dois) ou mais atletas do mesmo setor ou de setores diferentes (goleiro, defesa, meio-campo, ataque).

    Objetiva, também, dar à equipe um padrão de jogo próprio e eficiente, de acordo com as tradições do clube (ou país) e dos jogadores que possui.

    As Táticas podem ser fixas ou variáveis, mas devem sempre respeitar e aproveitar as características dos Atletas e as situações que uma partida de futebol e uma competição podem apresentar, tais como: jogo em casa ou fora, de dia ou à noite, sob condição meteorológica normal ou com chuva, sob frio ou calor, sob maior pressão ante resultado a conquistar, em superioridade ou inferioridade numérica, com marcador parcial a favor ou contra, em campos bons ou ruins, grandes ou pequenos, e ainda, as táticas ofensivas e as defensivas.

    Todas as situações previstas devem ser treinadas exaustivamente, desde a forma mais simples às mais complexas. Primeiro sem oposição, depois com oposição como sombra, mais à frente, com oposição real, e finalmente em jogos-treino, jogos amistosos e nos jogos oficiais.

    Buscar a adequação de um Sistema de Jogo Moderno ao elenco de que se dispõe, considerando as virtudes, as limitações e as características de cada um.

    Primeiro haveremos de condicionar individualmente os jogadores; depois, harmonizá-los por setores e, finalmente, entrosar os setores entre si.

    Estabelecer formas táticas básicas para bola parada e bola em jogo, aumentar o grau de complexidade com variações, além de treinar formas alternativas que possam surpreender os adversários e tirar vantagens.

    Imperativo que o processo de contratações seja preciso, sigiloso, rápido e eficiente e que o plano de treinamento tenha por base inspiração, experiência e acerto, para que os objetivos propostos sejam efetivamente alcançados.

3.4- ENTROSAMENTO COM AS CATEGORIAS DE BASE

    O entrosamento entre o Departamento Profissional e o de Base (Amador) deve ser crescente, trabalhando de forma harmoniosa, metódica e contínua com o objetivo de melhor preparar os jovens valores. Que se formem boas equipes para representar o Clube (País) nas diversas competições, mas, principalmente, preparando-os de forma que aumente o índice de aproveitamento na Categoria Principal dos Atletas formados no próprio clube, a “Prata da Casa”, ou melhor ainda, o “Ouro da Casa”.

Sugestão da divisão por idades das categorias na Divisão de Base, antigo Departamento Amador:

  NOME ATUAL     NOME NOVO        IDADES      

  • Dente-de-Leite Fraldinha            (10 – 9 anos)
  • Pré-Mirim Dente de leite       (12 – 11 anos)
  • Mirim Mirim (14 – 13 anos)
  • Infantil           Infantil             (16 – 15 anos)
  • Juvenil            Infanto juvenil      (18 – 17 anos)
  • Júnior         Juvenil          (20 – 19 anos)
  • Aspirante      Aspirante            (19 – 20 anos + 7 até 21 anos + 5 até 23 anos + 3 até 25 anos).

    Deve ser elaborado um Planejamento de Longo Prazo, chamado de Macro-Ciclo para, pelo menos, 4 (quatro) anos, definindo objetivos e metas de todo o trabalho, bem como as diretrizes gerais para que todos os profissionais contratados possam nele basear-se e desenvolver o trabalho, sem riscos de solução de continuidade entre Categorias e Fases.

    O Programa para o Departamento de Base deve ser especial, bem definido e adequado às faixas etárias a serem trabalhadas.

    Devem ser trabalhados, tanto o jogador, como o homem (jovem), de forma que o binômio “jogador-homem” leve à transformação e ao “atleta profissional de alto nível”, preparado para a difícil tarefa de integrar-se, definitivamente, ao Time Principal, servir às Seleções Estaduais e Nacionais e conquistar títulos, sempre tão importantes, mas como conseqüência do bom trabalho desenvolvido, nunca pelo título em si, que não deve ser o alvo principal nas Categorias de Base.

    A exigência da conquista de títulos, em qualquer das Categorias de Base, constitui grave erro e não se coaduna com o espírito que deve imperar nas Divisões de Base (que antigamente eram denominadas “inferiores”).

    Aqueles que estabelecem a meta de conquista de títulos para as equipes jovens, se valem de utilizar jogadores mais velhos de que disponha, pela maior experiência que acumularam, em vez de jovens talentosos, menos experimentados.

    Ganham-se, assim, algumas competições, mas o aproveitamento de jogadores na Categoria Principal torna-se reduzido, pois o jogador mais velho, mas de qualidades apenas razoáveis (compare-se a uma pedra de “brita”), mesmo campeão e lapidado por especialistas, não teria entrada na Categoria Superior, à qual chegam, exclusivamente, alguns poucos superdotados. Tornar-se-iam, ainda que bem trabalhados, uma pedra de meio-fio ou um paralelepípedo de rua. Aquele superdotado, o raro talento (compare-se a um brilhante), a quem não seja dada a oportunidade de treinar e jogar, também não atinge o nível de “diamante”, vale milhões, entra direto na Equipe Principal e na Seleção.

    O aproveitamento de cerca de 3 (três) jogadores por ano, na equipe principal, de um grupo de cerca de 44 (quarenta e quatro), que hajam iniciado o processo na Categoria Infantil, 6 (seis) anos antes, ou melhor ainda, 10 (dez) anos, se o início se deu na Categoria Pré-Mirim e o aperfeiçoamento de todos os mecanismos do trabalho propiciará que, em poucos anos, o Clube possua uma forte equipe formada por valores revelados em casa, sempre reforçada e reformada, permitindo, ainda, auferir ganhos com o empréstimo e venda de bons Atletas excedentes ou já passíveis de substituição.

3.5- COMISSÃO TÉCNICA

    A Comissão Técnica deve ser formada por um conjunto de profissionais das diversas áreas esportivas, prioritariamente do Futebol, especializados, de preferência, com formação universitária e pós-graduação, além de larga experiência profissional.

    A par da qualificação profissional, exigível conduta ilibada e espírito grupal, pois a Comissão Técnica, para levar a bom termo seu trabalho, atingir o escopo para o qual foi criada, deve liderar o grupo de Atletas pelo exemplo, pela união e harmonia dos seus componentes.

A exemplo de um time de Futebol, a C.T. pode compor-se de 11 (onze) pessoas, assim definidos:

    Administrador Geral (Superintendente)

    Supervisor

    Chefe de Departamento

    Chefe de Divisão (Diretor Técnico)

    Treinador Profissional de Futebol

    Treinador Profissional Adjunto

    Preparador Físico

    Preparador Físico Adjunto

    Preparador de Goleiros

    Mordomo

    Mordomo Auxiliar

Considere-se a possibilidade do preparador exclusivo do Sistema Ofensivo, ou do Defensivo e, mais, o preparador de atacante, de batedores de falta, e outros.

Para amparar a Comissão Técnica, recomendável, também, o Departamento de Saúde e um Departamento Administrativo, com funções definidas e com respectivos Chefes de Divisão.

3.6- DEPARTAMENTO DE SAÚDE

    Deve ser formado para atender as necessidades do trabalho em Futebol de alto nível, com presença diária em todas as atividades programadas no Plano de Treinamento e no Calendário de Jogos, além de atuar preventiva e profilaticamente junto ao elenco de Jogadores, permanentemente

    Deve ser formado por um Ortopedista-Traumatologista, com especialização em esportes e larga experiência profissional, e por um Clínico Geral, além de contar com o assessoramento do Cardiologista e do Fisiologista. A figura do Psicólogo, em alguns clubes também deve integrar o D. S.

    Fazem parte do Departamento de Saúde, também, o Fisioterapeuta, o Enfermeiro e o Massagista, além do Nutricionista.

    É essencial a presença do Médico em todas as sessões e jogos programados, a fim de dar apoio e segurança aos trabalhos, aos Atletas e Treinadores e pronto atendimento a possíveis emergências tão comuns nessa atividade.

CONCLUSÃO

    No Programa de Trabalho são traçados objetivos e metas, lançadas as sementes do trabalho, considerando-se estudos, avaliações, experiências e resultados anteriores.

    Aprovado o Programa Geral de Trabalho, inicia-se a elaboração do Planejamento de Treinamento, quando, então, serão definidos os meios a utilizar para alcançar objetivos e metas estabelecidos no Programa de Trabalho. Este Plano se constitui numa etapa muito importante na obtenção dos resultados – sua aplicação, avaliação periódica e adaptações. Teoria na prática.

    Recomendável um Projeto de Longo Curso, pelo clube, com 4 (quatro) anos de duração, ou pelo tempo de mandato de uma Diretoria, que, independente de nomes, não sofra solução de continuidade.

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