FUTEBOL ARTE E OFÍCIO: DA ARTE – MARCAÇÃO

CAPÍTULO III

DA MARCAÇÃO

    DEFINIÇÃO GENÉRICA: Ato ou efeito de marcar. Posicionamento do jogador ou do time em campo entre o marcado e o meio da linha de gol, tão perto quanto possível, com o objetivo de impedir que os adversários joguem livremente.

    Marcar é diferente de desarmar.

    Desarmar é o ato ou efeito de recuperar a bola, de toma-la do adversário, sendo uma conquista da marcação bem-feita.

    Considera-se a marcação sob dois aspectos básicos:

1) JOGADOR A JOGADOR

    Ação individual mais singular da atuação defensiva.

Consiste no posicionamento do marcador o mais próximo possível do marcado, entre ele e a baliza, com a finalidade de evitar que o adversário consiga seu intento.

    Assumida a correta posição para a marcação (pernas semiflexionadas, de frente, braços levemente afastados ao lado do corpo, entre o jogador e o centro da linha de gol), pode-se dela partir para atitudes defensivas mais agressivas, como a da antecipação, que é o ato de tomar a frente do jogador marcado quando o passe lhe é enviado, tirando-lhe a posse da bola ou rebatendo-a.

    É possível, ainda, outra atitude de caráter defensivo que se segue à marcação, que é “chegar-junto”. Havendo risco na antecipação, o marcador coordena sua chegada à bola no mesmo tempo em que o jogador marcado, dificultando sua recepção e afastando o perigo.

    A marcação pode ser passiva ou ativa.

1.1 –   PASSIVA – é a marcação na qual a preocupação do defensor se resume em não permitir que o atacante, de posse da bola, jogue livremente, tome a direção da sua baliza ou o drible conseguindo uma vantagem. Sua tarefa é simplesmente não permitir que o adversário consiga a vantagem da ultrapassagem ou da finalização. O ataque à bola na tentativa de ganhar sua posse, nem sempre é recomendável, porque pode propiciar ao adversário a oportunidade de batê-lo e obter a vantagem mais facilmente, apenas desviando a bola da direção do movimento, usando seu peso, direção e força, em razão da própria posse da bola e dos dotes, em geral naturais dos atacantes.

1.2 –   ATIVA –  é a marcação em que o defensor atua de forma mais agressiva, após assumir a posição básica para marcar, pressionando o jogador com a finalidade de apoderar-se da bola, não permitindo que progrida ou que tenha espaço e tempo para pensar, de ver o jogo, aumentando as chances de ganhar a posse, por induzir o adversário ao erro, pela intensidade e acerto da ação.

2) TIME A TIME

    Marcar, aqui, tem o sentido de controlar os passos de todos os jogadores adversários simultaneamente. Cada defensor (jogador do time que não possui a bola) deve posicionar-se entre o marcado e o centro da própria linha de gol, mantendo-se, ao menos em igualdade numérica nos setores de defesa e no de preparação, de forma que impeça a equipe oponente de jogar livremente na busca do gol, ou da simples manutenção da posse de bola, o que em si mesmo  já constitui enorme vantagem, a ser combatida a todo custo, sabido que quem tem a bola possui um tesouro, uma arma poderosa e essencial no combate, na guerra do Futebol.

    Tal qual na marcação de jogador a jogador, pode ser passiva ou ativa, na dependência tão-somente da intenção que se tenha de cercar o adversário esperando seu tempo de errar, ou pressionar para tirar espaço, visão e tempo, induzindo-o ou forçando-o a erro, assim ganhando ou recuperando a posse da bola.

    Na prática, no nível de marcação time–a-time, além de policiar o seu correspondente, cabe a cada defensor uma segunda função, a da cobertura, que é o ato de ajudar companheiro na marcação, ou cobri-lo quando este for vencido pelo seu oponente. Mesmo os melhores marcadores, jogando sucessivas partidas contra bons atacantes podem ser vencidos. Um bom sistema de coberturas impede a continuidade da vantagem alcançada.

    Além de marcar o jogador adversário, deve o marcador atentar também para a localização da bola, para os setores e as zonas do campo, pontos de referência, a linha–de-marcação (linha imaginária entre cada jogador e o meio da linha de gol), e a linha–de-cobertura (que é a linha imaginária entre a bola e o centro da linha de gol), da qual todos os jogadores se devem aproximar, sem deixar de cuidar daquele a quem está marcando diretamente.

SLIDE I

MÉTODO DE MARCAÇÃO

         É o caminho a seguir para alcançar máxima eficiência no planejamento defensivo e, por conseguinte, no ofensivo também levando-se em consideração o tipo, o local e a intensidade da marcação.

QUANTO AO TIPO:

a) MARCAÇÃO INDIVIDUAL

Também conhecida como “HOMEM-A-HOMEM”. Em inglês, “MAN–TO–MAN “

    Nesta, cada jogador de defesa tem sob sua responsabilidade um adversário pré-determinado a quem caberá marcar, controlar e anular, impedindo-o de jogar quando o time adversário tenha a bola. Pode-se determinar pelo nome, em caso de serem conhecidos (por exemplo: José marca Luiz), pelos números (2 (dois) marca 11 (onze), ou 3 (três) marca 9 (nove), ou ainda pelas características físicas, quando não são conhecidos pelo nome.

    Neste tipo de marcação, denominada PURA, o fator mais importante é o jogador adversário a ser marcado, pouco ou nada importando as zonas do campo e onde a bola esteja.

SLIDE II

       Principais vantagens:

  1. Clareza
    e simplicidade da instrução;
  2. Definição
    imediata das responsabilidades.

    Principais desvantagens:

  1. Dificuldade de reorganização na perda da
    bola, principalmente quando o adversário usa outro tipo de marcação;
  2. Desgaste físico e mental que provoca;

3) Espaços vazios que proporciona, uma vez que os defensores são levados, conduzidos, por aqueles a quem marcam, na sua movimentação. Vazios estes que podem ser bem aproveitados, em seguida, de alguma forma.

b) MARCAÇÃO POR ZONA

SLIDEIII

    Também conhecida como “POR SETORES”. Em inglês, “ZONE MARKING”.

    Esta marcação é realizada considerando os setores do campo, a saber: defesa, meio-campo e ataque, conseguida pela divisão do campo, no seu comprimento, em 3 (três) partes iguais: a defensiva, a intermediária e a de ataque; o mesmo acontecendo quanto à largura, que nos apresenta 3 (três) faixas/corredores principais, a direita, a central e a esquerda. Basicamente 3 (três) corredores no sentido longitudinal do campo. Diz-se que mesmo grandes equipes não conseguem fechar os 3 (três) corredores simultaneamente.

    Dividido o campo em zonas, atribui-se a cada jogador um espaço, de acordo com suas características e as da função a ser desempenhada.

    Considerando, por exemplo, o Sistema G-4-3-3:

SLIDE IV

– O lateral-direito ocupa a zona (1), próxima da linha lateral direita do campo defensivo e da linha de fundo, até onde começa o setor de meio – campo, à frente, e a linha lateral direita da área do goleiro, onde começa a zona sob responsabilidade do zagueiro – central – direito.

SLIDE V

– O zagueiro–central-direito divide com o zagueiro–central-esquerdo a faixa central (2), por ser a mais importante do campo de defesa, tomando conta da zona (2-a), espaço compreendido entre a linha lateral direita da área de pênalti e a marca do tiro–de-pênalti, e, no sentido longitudinal, até onde começa o setor defensivo (imaginária linha intermediária, entre a linha do meio-campo e a linha frontal da grande área).

– O zagueiro–central-esquerdo, que, no Brasil, também é chamado de quarto–zagueiro, por ter sido o 4O jogador a tornar-se defensor, ocupa a zona (2-b), o espaço semelhante ao do central da direita, mas à esquerda do setor de defesa. Da direção da marca de pênalti até a linha lateral esquerda da grande área, e no sentido longitudinal, até a linha intermediária. Os 2 (dois) juntos formam o miolo–da-zaga.

– O lateral-esquerdo ocupa semelhante área à ocupada pelo lateral da direita, mas à esquerda do setor defensivo (4). Vai da linha lateral esquerda à direção da linha lateral esquerda da área do goleiro, e desde a linha de fundo à linha intermediária.

SLIDE VI

– O médio-volante, ou centro-médio, em Sistema que usa apenas um volante, defende toda a frente da zaga, mas principalmente, a faixa central do segundo terço do campo, a zona intermediária (5), que, longitudinalmente, se inicia na linha intermediária onde começa a faixa de defesa, e vai até a intermediária do campo adversário, onde começa a faixa de ataque. De acordo com os corredores longitudinais, coloca-se na faixa central, à frente dos zagueiros centrais, formando com eles um triângulo, que facilita a defesa.

– O meia-direita ocupa a faixa de terreno de meio-campo, à direita, desde a linha marginal direita até o começo da zona do volante ao lado, e o setor de ataque à frente. É a zona (6).

– O meia-esquerda joga no setor de meio-campo, semelhante ao meia-direita, mas à esquerda do volante central (ou centro-médio), ou seja, desde a linha lateral esquerda até onde começa o setor do volante, e desde a linha de defesa até a zona de ataque. Zona (7).

SLIDE VII

– O centro-avante ocupa o espaço na faixa central do campo, no setor mais avançado da equipe, que se inicia na intermediária oposta e vai até a linha–de-fundo do oponente, bem próximo à baliza adversária, constituindo-se, por isto, no jogador mais ofensivo, geralmente o artilheiro da equipe. No corredor central. Zona (8).

– O ponta-direita ocupa, basicamente, o setor de ataque, à direita do centro-avante, perto da linha lateral direita, desde a linha-de–fundo à linha intermediária adversária. Zona (9).

– Ao ponta-esquerda cabe ocupar o lado esquerdo do ataque, no terceiro corredor do terceiro setor, ao lado do centro-avante, até a linha lateral esquerda, desde a linha-de–fundo à linha intermediária. Zona (10).

SLIDE VIII

         Os limites das zonas não são exatos, cabendo aos responsáveis por cada zona o cuidado com uma parte da zona contígua, sendo, por exemplo, o lateral direito, co–responsável pela zona do central e vice-versa, principalmente na parte em que as zonas se confundem.

    Semelhante fundamentação deve ser utilizada para Sistemas que utilizam diferente distribuição pelos setores, como G-4-4-2, G-3-4-3, 3–5–2, e outros. Ver diagramas.

SLIDE IX

         Principais vantagens:

  1. Exige do jogador: pensar, raciocinar;
  2. Distribui as tarefas de forma mais justa,
    mais equânime;
  3. Fecha todos os espaços do campo de acordo
    com a vontade própria;
  4. Despende menos energia na sua execução;
  5. É segura e relativamente fácil de realizar;
  6. Própria para o temperamento do jogador
    brasileiro.

         Principais desvantagens:

  1. A definição da zona de marcação não pode ser
    indicada exatamente;
  2. Apresenta problema quando dois adversários
    jogam num mesmo setor, fazendo 2 x 1;
  3. Exige muito discernimento e raciocínio.

c) MARCAÇÃO MISTA

Também conhecida por “COMBINADA”, em inglês, “MIXED ZONE”. Consiste na fusão das duas anteriores, segundo a qual parte da equipe joga marcando por zona (setor), e outra equipe marcando individualmente, sobre um ou mais adversários.

    Por exemplo: os zagueiros e os atacantes são orientados a marcarem por zona, e os meias, individualmente, aos correspondentes da equipe adversária, por todo o campo ou não.

Principais vantagens:

  1. Anulação
    da atuação de um ou mais adversários de nível técnico superior, sem
    descaracterizar a marcação básica;
  2. Maior
    flexibilidade, possibilitando a variação dos tipos de marcação;
  3. Pode
    retornar ao original a qualquer momento, sem prejuízos;
  4. Aproveitamento
    das vantagens e eliminação dos defeitos das marcações puras.

Desvantagem:

  1. A
    restrição que se pode fazer a esse tipo de marcação é somente quanto aos
    espaços que possam ser abertos no setor defensivo, caso os atletas encarregados
    de executá–la não sejam escolhidos apropriadamente. Assim, devem ser tomados
    alguns cuidados especiais na designação daqueles que irão marcar individualmente,
    de modo que haja a maior compatibilidade e afinidade possíveis, com a função
    específica da sua posição no time. Por exemplo, não é indicável que o
    médiovolante marque o meia ofensivo, sob pena de este desviá–lo para outras
    zonas do campo, abrindo espaços para quem vem de trás: meias, laterais ou
    centrais que se projetam por ali. O mais indicado, no caso, seria a utilização
    de um dos outros meias para a marcação, ou a substituição de um dos atacantes
    por um meia de marcação.

QUANTO ÀS ÁREAS DO CAMPO

       Independente do sistema de jogo utilizado e do tipo de marcação, é importante definir adequadamente onde começar a marcação, considerando os espaços do campo.

a) MARCAÇÃO NO CAMPO TODO

    Para efeito de conscientização e treinamento, chamamos esta marcação de “NÚMERO 1” (um), a fim de, com um simples sinal do dedo, toda a equipe saber o trabalho a realizar.

         Estando a bola em qualquer ponto do setor defensivo adversário, com o goleiro ou zagueiros, devem os atacantes da equipe que defende iniciar a marcação de seus correspondentes o mais adiantados possível, colocando–se próximos da linha frontal da área em tiros–de–meta, e até mesmo dentro da área penal, quando a bola em jogo. Tudo isso em manobra sincronizada com os seus meias, que se aproximam da linha de atacantes, marcando os meias opostos correspondentes, e o avanço dos zagueiros que, segundo o princípio da compactação, aproximam-se dos seus próprios meias, colocando-se próximos ou sobre a linha central, marcando os atacantes adversários ou deixando-os em posição de impedimento, se estes não se obrigarem a recuar à sua própria metade de campo.

MARCAÇÃO 1 – CAMPO TODO    

                                                                          

Por compactar entende-se o posicionamento de todos os jogadores dos 3 (três) setores num espaço reduzido com o objetivo de não permitir espaços para penetração, além de possibilitar coberturas imediatas.

    As grandes e bem treinadas equipes executam com perfeição a compactação em espaços de cerca de 35 (trinta e cinco) metros ou menos, considerado o sentido longitudinal do campo, como um bloco, que dificulta a organização ofensiva adversária, além de permitir imediato suporte e socorro ao companheiro que retomou a posse de bola, garantindo-a ou iniciando um contra-ataque.

    Pode-se executar com sucesso a marcação no campo todo nos tiros-de-meta dos adversários, nas faltas dentro da área do goleiro adversário e nos arremessos laterais.

       Não é recomendável, com a bola nas mãos do goleiro adversário, porque, com um chute forte, ele põe a bola atrás da defesa, provocando grande risco.

    Utilização:

a) Geralmente, quando a equipe é sabidamente superior à adversária nos aspectos físico, técnico e tático;

b) Regularmente, nos jogos “em casa”;

c) Quando a equipe está em desvantagem no marcador, ou o resultado não é interessante, e faltando pouco tempo para o final da partida;

d) Quando a equipe adversária possui bom toque de bola a partir da defesa;

e)  Mesmo sendo semelhante o nível das equipes, ou inferior, busca-se surpreender o oponente que acredite ser outro o tipo de marcação utilizado.

    Vantagens:

  1. Dificuldade que impõe ao adversário, desde a
    saída da bola, na hora de jogar, que em nenhum lugar do campo tem espaço e
    tempo para receber, controlar e passar;
  2. Proximidade da baliza oposta, quando da
    retomada da bola, proporcionando imediatas oportunidades de gol;
  3. Força a imediata retomada após a perda da
    bola, com aumento do domínio e do tempo de posse;
  4. Bem executada, obriga o adversário ao chute
    longo, conveniente aos defensores, que, por estarem de frente para a bola e
    serem especialistas em bolas altas, têm maiores possibilidades de ganhar a
    disputa pela primeira bola.

    Desvantagens:

  1. Espaço que oferece atrás da linha de
    zagueiros, colocada sobre a linha média, quase metade do campo – cerca de 50
    (cinqüenta metros) – que pode ser explorado pelos adversários em
    contra-ataques, passes longos, ou combinação de passes curtos com inversão de
    frente de jogo;
  2. Qualquer chutão, até mesmo do goleiro
    adversário ou dos zagueiros, coloca sua equipe no ataque, com defensores e
    atacantes disputando a bola longa, exigindo dos meias e dos atacantes um
    acentuado recuo para compactar a equipe, ajudar na roubada da bola, manter a
    bola, se recuperada, e dar imediata opção de passe. Este movimento para trás,
    em velocidade e sob risco de sofrer o gol, estressa a equipe psicologicamente,
    além de desgastá-la fisicamente. Uma solução para não dar espaços nas costas,
    sem deixar de compactar, é a orientação aos centrais para a colocação avançada,
    como deve ser, mas com recuo acentuado e rápido no tempo da possível perda da
    bola no ataque com chances de rebatida ou passe longo. Isso permite aos
    zagueiros chegarem de frente para a bola, evitando muitos contra-ataques, que,
    segundo se sabe, além do desgaste, são responsáveis por elevado percentual dos
    tentos consignados, inclusive nas grandes competições;
  3. Difícil marcar no campo inteiro os 90
    minutos da partida, nos sucessivos jogos de uma competição, pelo alto dispêndio
    de energia e desgaste dos jogadores.

Às vezes, mesmo contra adversários teoricamente mais fracos, válido alterná-la com outros tipos mais recuados de marcação, para descansar um pouco, reorganizar e permitir ou forçar o avanço da defesa oposta, criando espaços para contra-atacar, além de ganhar tempo para jogar.

b) MARCAÇÃO A PARTIR DA INTERMEDIÁRIA ADVERSÁRIA

         Para efeito de conscientização e treinamento, chamamos a esse tipo de marcação de “NÚMERO 2” (dois). À margem do campo, dois dedos levantados, e pronto: mensagem entendida.

    Por intermediária entende-se uma linha imaginária entre a linha frontal da grande área e a linha central do campo.

    Marcação a partir da intermediária adversária é a que independentemente de onde esteja a bola, no setor defensivo adversário, determina que os atacantes comecem a marcar onde se pressupõe passar a linha intermediária, em atitude de marcação, aguardando pela aproximação do adversário daquele setor, para então, iniciar o combate. Respeitando o já definido princípio da compactação, os meias distribuem-se próximos da linha central dando apoio aos atacantes na marcação e na tentativa de retomada da bola, não permitindo espaços atrás dos atacantes, para onde adversários poderiam deslocar-se, receber e anular o esforço dos atacantes. Seguindo o mesmo princípio, os defensores posicionam-se próximos da própria linha intermediária, sem deixar brechas nas costas dos meias, apoiando-os e facilitando, assim, a marcação e a retomada da posse.

MARCAÇÃO 2 – A PARTIR DA INTERMEDIÁRIA ADVERSÁRIA

MARCAÇÃO 2 DEFENSIVA – 2 D . CABEÇA DO GRANDE CÍRCULO

    Os adversários podem jogar mais ou menos livremente, desde que não tentem penetrar no espaço defensivo compreendido entre a linha de atacantes e sua linha de fundo.

Vantagens:

  1. Após o término de um ataque, todos têm um
    breve espaço de tempo para recuperar posições, concentrar-se na defesa e
    recuperar a condição física;
  2. O espaço oferecido atrás da defesa é
    significativamente menor do que na marcação no campo todo, sendo, portanto,
    mais seguro;
  3. Atrai, naturalmente, ao adversário,
    forçando-o a avançar e sair para o jogo, deixando, por isso, espaços
    relativamente úteis atrás da sua defesa, que podem ser explorados em rápidos e
    mortíferos contra-ataques;
  4. O desgaste físico para sua execução é
    significativamente menor do que o despendido na marcação em todo o campo.

Desvantagens:

  1. Enquanto
    recua até a intermediária, após a perda da bola, propicia ao adversário, tempo
    e espaço, o que pode significar rápidos e perigosos contra-ataques pela equipe
    adversária;
  2. Permite
    ao adversário jogar com relativa calma, após a recuperação da bola, por
    conseguinte, propiciar-lhe maior tempo de posse de bola e melhor qualidade no
    início das manobras ofensivas;
  3. As
    bolas longas dos zagueiros oponentes podem chegar com facilidade ao ataque,
    porque não marcados, em seu campo defensivo, pelos atacantes, oferecendo riscos
    à defesa.

c) MARCAÇÃO A PARTIR DA LINHA DO MEIO-DE-CAMPO

     Para efeito de conscientização e treinamento, chamamos essa marcação de “NÚMERO 3” (três).

    Sem considerar a posição da bola no campo de defesa adversário, após a perda da posse, todos os jogadores recuam, recompondo-se, de preferência, de costas para a sua baliza, de frente para a bola, com os atacantes colocando – se sobre a linha central onde começam a combater os adversários quando estes ali chegarem.

     Respeitando o princípio básico e fundamental da compactação, os meias dispõem-se próximos da própria linha intermediária, por trás dos atacantes, para prestar-lhes auxílio e cobertura no combate, marcação e desarme. Por sua vez, participando da ação conjunta os zagueiros colocam-se próximos da linha frontal da sua grande área, formando com os demais setores um só bloco.

MARCAÇÃO 3 – A PARIR DA LINHA DO MEIO DE CAMPO

    Usa-se essa distribuição por convicções mais defensivistas, tirando do adversário espaços entre a primeira linha de combate (atacantes) e a última (defensores), mas também, e principalmente, o espaço às costas da equipe, atrás da defesa. O goleiro e a linha de fundo tornam-se, então, defensores coletores de passes mal efetuados à frente, com o ganho da posse da bola, tão importante no Futebol moderno. Àquele que não tem a bola só resta correr para tentar recuperá-la, gastando energia.

Vantagens:

  1. Oferece
    ao adversário espaços muito reduzidos para jogar, inclusive, nas costas da
    defesa;
  2. Exige
    menor desgaste físico para sua execução;
  3. Atrai
    o adversário para o campo de ataque, forçando-o a deixar espaços valiosos atrás
    dos defensores; quando queiram efetivamente fazer o gol;
  4. Adequado
    para jogar em contra-ataques, que levam grande perigo com pouco gasto de
    energia;
  5. Muito
    seguro, defensivamente.

Desvantagens:

  1. Traz o adversário com a bola para perto da
    sua baliza;
  2. Os atacantes ficam posicionados longe da
    baliza adversária;
  3. Permite ao adversário dominar o tempo de
    posse e, territorialmente, o jogo.

d) MARCAÇÃO A PARTIR DA LINHA INTERMEDIÁRIA DO PRÓPRIO CAMPO

Chamada de “NÚMERO 4” (quatro) para efeito de entendimento e conscientização.

Perdida a bola, todos os jogadores recuam imediatamente de costas para a sua própria baliza até seus setores, cuidando visualmente da bola. Os atacantes posicionam-se próximos da própria linha intermediária, onde lhes cabe começar a combater os adversários, quando com a bola dali se aproximarem. Os meias, dando-lhes suporte, dispõem-se logo atrás, fechando espaços e caminhos. Os zagueiros, em apoio aos meias, fecham os espaços mais atrás, fora da grande área.

    É uma forma ultradefensiva de marcar, em relação ao campo.

    Durante os jogos, se oferecem muitas oportunidades para seu uso, como, por exemplo, quando da necessidade de garantir um resultado favorável, restando pouco tempo para o fim do jogo e principalmente, se além da possível inferioridade físico-técnico-tática, a equipe estiver inferiorizada numericamente, em dificuldade para conter o ímpeto e o domínio do oponente.

    É extremo recurso, já no desespero, tentativa heróica para garantir um resultado. Após as rebatidas ou passes longos à frente para aliviar a pressão, a equipe deve avançar moderadamente, apenas obrigando os atacantes adversários a se afastarem da área. Na perda da bola, todos novamente recuam incontinenti, numa rápida manobra de recomposição, tão importante quanto outros aspectos da marcação, pois tira espaços nos lugares vitais, além de proporcionar algum tempo para a recuperação física e mental.

    Pouco se fala desta forma de marcar, mas deve ser treinada exaustivamente para quando situações especiais recomendarem garantir com “unhas e dentes” um bom resultado, ainda que empobrecendo o espetáculo, para desespero dos amantes do Jogo Bonito.

    Pode ser usada em finais de jogos, por curtos espaços de tempo, mormente quando uma equipe com resultado favorável, está inferiorizada física ou numericamente.

    Difere um pouco da aparente semelhança verificada quando zagueiros e meias formam um único bloco à frente da área se o adversário consegue, por méritos, chegar àquela zona, porque neste caso os atacantes não são obrigados a recuarem aquém da linha média, preparados para contra-atacar, descaracterizando o bloco compacto.

Vantagens:

  1. Oferecer ao adversário um bloco na marcação,
    verdadeira muralha na frente da área, com todos os jogadores dos 3 (três)
    setores muito próximos uns dos outros (compactados em cerca de 20 (vinte)
    metros atrás da linha da bola), não permitindo espaços, além de proporcionar
    imediatíssimas coberturas pela maior proximidade entre jogadores;
  2. Reduzir espaços nas costas da defesa que,
    plantada sobre a linha da área, não permite ao adversário trazer seus atacantes
    para dentro da grande área antes do passe, a cobiçada “zona do agrião” (ave!
    João Saldanha), donde a maioria dos gols são consignados.
  3. Necessitar de pouquíssimo dispêndio de
    energia física, embora grande a de energia mental, pelos seguidos ataques a que
    se vê submetida;
  4. Por vezes, surgem oportunidades para
    perigosos contra-ataques, em face do desespero dos adversários, atacando
    infrutiferamente.

Desvantagens:

  1. Dar ao adversário total controle do campo,
    da bola e do jogo, porque os atacantes se posicionam muito distantes da moldura
    oposta, já que assumido claramente o jogo com características defensivas;
  2. Goleiros e zagueiros não podem cometer erro
    de cabeceio, rebatida ou marcação, porque oferecem aos atacantes adversários
    oportunidades de finalizar;
  3. O nível de resistência psicológica tem de
    ser grande, pois a pressão torna-se muito forte e constante;
  4. Jogo feio e sofrido. Justificável somente
    quando da vitória a qualquer preço.

QUANTO À INTENSIDADE

    O grau de intensidade a ser empregado na marcação é um fator importantíssimo e decisivo para a obtenção de melhores resultados, independentemente do sistema de jogo ( 4-3-3, 4-4-2, 3-5-2, ou outro qualquer), do tipo de marcação (Individual, Zona, ou Mista), e a partir de onde se começa a marcar (Campo Todo, Intermediária Oposta, Meio-Campo, ou Própria Intermediária), bem como entre outros fatores relevantes a considerar, tais como: o tempo decorrido de jogo, o resultado parcial, jogando-se em casa ou fora, as dimensões do campo e a qualidade dos adversários.

    Claro que, quando uma equipe se determina a marcar no campo todo, deve também decidir marcar sob pressão, isto é, com a máxima intensidade possível, de tal forma que nenhum jogador adversário disponha de espaço, tempo e visão, bem como de tranqüilidade suficiente para jogar livremente, seja com a bola ou em apoio ao passador. O uso de baixa intensidade, certamente, não levaria ao objetivo de tomar a bola, e daria, em conseqüência, condições de ser atacado com perigo, porque as 3 (três) linhas estariam avançadas, e a última, a dos zagueiros, sobre a linha média ou próxima dela, oferecendo atrás, sem haver impedimento, mais de 50 (cinqüenta) metros de campo aberto.

    Por isso, até hoje, quando uma equipe sai a marcar no campo de ataque, é comum ouvir-se falar da marcação “por pressão”. De fato, o tipo de marcação é no campo todo e a intensidade, máxima ou “sob pressão”. É possível, embora pouco recomendável, o uso da pressão normal ou de baixa intensidade, quando todo o time estiver no campo adversário.

    Quando se utilizam as marcações, “NÚMERO 2” (“A partir da intermediária adversária”), e “NÚMERO 3” (“No próprio meio – campo”), também se pode usar pressão máxima a partir do local combinado ou em intensidade de grau menos elevado.

    As marcações de intensidade normal e de baixa pressão servem para melhor reorganização dos jogadores antes de começar o combate e para induzir o adversário em erro, forçando-o a sucessivas trocas de passes ou obrigando-o a levar a bola para algum lugar do campo onde haja maior chance de tomá-la, como por exemplo, um setor ocupado por jogador menos qualificado tecnicamente, que passará a ser combatido com maior intensidade, ou melhor ainda, dirigido para próximo de uma das linhas laterais. Isto, como já vimos, restringiria a ação do jogador à metade dos 360 (trezentos e sessenta) graus que têm aqueles posicionados na faixa central, uma vez que as linhas laterais funcionam como defensivas fixas dos outros 180 (cento e oitenta) graus.

SLIDE X

    O recurso de não pressionar, a não ser nos momentos certos, tem o condão de induzir que a bola chegue a um adversário de frente para seu próprio arco, portanto, de costas para a marcação, quando, então, desamparado e sem visão, é presa mais fácil para o desarme.

COBERTURA

    Proteger e assegurar a um ou mais companheiros a possibilidade de imediato socorro, no caso de não se conseguir conter seu adversário direto, deixando-se bater, denomina-se cobertura.

    Dentro de uma concepção defensiva, o ideal é haver sempre superioridade numérica, com um jogador livre para as coberturas.

    Aqueles que marcam devem, permanentemente, considerar a eventualidade de uma ajuda a um companheiro, colocando-se entre o jogador que lhe cabe marcar e o meio da sua linha de gol. Deve ficar, também, um pouco atrás do seu companheiro que atua na marcação do adversário com a bola, em mais efetiva participação em dado momento. Quando os 2 (dois) defensores que jogam nas posições ao lado do marcador do adversário com a bola, além de marcarem seus correspondentes, aproximam-se da linha de cobertura, atrás e ao lado daquele que estão a cobrir, forma-se o denominado triângulo defensivo. Essa formação facilita o trabalho na defesa, por não propiciar ao adversário condições imediatas de jogar livremente, ao bater o marcador direto para qualquer lado. A essa cobertura simultânea nos dois lados, dá-se o nome de “double-lock” ou “cobertura dupla”.

SLIDE XI

    Quando o marcador do homem da bola se coloca próximo da linha lateral, não possibilitando a um companheiro seu colocar-se como outro vértice do triângulo defensivo, faz-se mister considerar a própria linha lateral como o segundo vértice de cobertura, como de fato é, forçando o adversário a sair com a bola pela lateral, perdendo, consequentemente, a posse, sendo então alcançado o objetivo do marcador.

    Com a seqüência dos treinamentos, os triângulos tornam-se móveis, andantes, crescendo em eficiência, além de menor o dispêndio de energia dos jogadores envolvidos.

    O posicionamento de cada defensor deve considerar os setores do campo, a colocação dos adversários (principalmente o seu direto ou o que está na sua zona de defesa), os companheiros que marcam nas zonas perto dele e da bola, a sua baliza, e pontos de referências (áreas, marca penal, etc.). Assim se posicionando e, sempre que possível, se aproximando da linha de cobertura – aquela linha imaginária que vai desde a bola ao meio da linha de gol –, de preferência, nunca na mesma linha de um companheiro seu também marcando (a chamada “linha-burra”).

    Um bom sistema defensivo é ponto-de-partida para o sucesso de um time.

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